29/07/2007

Casa onde nasceu Ernest Hemingway



Ernest Hemingway nasceu em 1899, em Oak Park, Illinois, sendo o segundo filho de uma família de seis. Seu pai era médico e a mãe pintora e pianista.

Todos os verões, a família viajava para o norte de Michigan, onde o pai ensinava-lhe a pescar, caçar e cozinhar no fogo do acampamento que gostavam de fazer.

Em 1917, Hemingway decidiu não ir para a universidade. Os EUA tinham acabado de entrar na guerra e ele desejava participar. Foi, porém, rejeitado pelo exercito por ter deficiência visual.

Ernest foi trabalhar para o jornal Kansas City Star. Narrava o que acontecia no hospital, polícia e estação de trem. Um reporter disse: "Hemingway gostava de estar onde tivesse ação."

O jornal Kansas City Star recomendou a seus jornalistas que escrevessem frases curtas e comunicasse fatos incomuns e detalhes de acidentes. Ele rapidamente aprendeu a fazer as duas tarefas.

Hemingway trabalhou no jornal durante nove meses até se juntar à Cruz Vermelha e partir para a Europa para ajudar nos campos de batalha. Seu trabalho era dirigir caminhões e transportar soldados feridos em batalha.

De volta aos EUA, para provar a si e à família que podia se sustentar escrevendo, Hemingway foi morar em Chicago, onde encontrou Sherwood Anderson, um dos primeiros escritores americanos a escrever sobre pessoas comuns.

Anderson ajudou-o na arte da narrativa. Disse-lhe para ir morar a França.

Hemingway seguiu para Paris, mas antes de fazê-lo, se casou com uma mulher que recentemente encontrara, Hadley Richardson.

Hemingway gostava de explorar Paris, aprender francês, seus costumes e conhecer amigos. Alguns eram artistas e escritores. Sentindo que Hemingway era um bom escritor, os amigos ajudaram-no a publicar seus livros nos EUA. Na época, ele agradeceu, para posteriormente negar a ajuda.

Em 1925, Hadley e Hemingway viajaram para EUA para que seu filho nascesse.

Retornando a Paris, publicou o livro 'O sol também se levanta', sobre a falta de perspectia dos joens americanos pós-guerra. Com 25 anos Ernest Hemingway se tornou famoso.

Muita gente não apreciou o trabalho de Hemingway porque não gostou sobre o que escreveu.

Sua frases eram curtas, da maneira que aprendera no jornal Kansas city star. Ele escrevia sobre o que sabia e sentia. Usava poucas frases descritivas. Suas afirmações eram claras e fáceis de entender.

Com o sucesso, Hemingway se tornou popular. Muitas pessoas iam conhecê-lo. Dentre aquelas, a americana Pauline Pfeiffer, que se tornou amiga de sua mulher e posteriormente sua amante.

Eles se encontravam às escondidas. Em uma ocasição, fizeram uma curta viagem. Anos depois, Hemingway escreveria sobre sua chegada em casa:

"Quando vi Hadley novamente, eu preferia ter morrido antes de ter amado outra que não ela. Ela sorria e o sol iluminava seu rosto. "

O casamento acabou. Separaram-se. Ela manteve o filho. Ele concondou em dar-lhe o dinheiro que ganhara com os livros.

Posteriormente, ao olhar para trás, ele confessou que o tempo com a esposa foram os melhores anos de sua vida.

Em 1928, Hemingway, junto com a nova esposa, foi morar em Key West, onde tiveram um filho.

Seu pai se matou. Hemingway ficou chocado. E disse, "meu pai ensinou-me tanto. Ele era a única pessoa a quem eu realmente queria."

Em 1936 aconteceu a Guerra Civil espanhola. Ele foi para o front como jornalista. Um dia, Hemingway e dois repórteres dirigiam-se de carro a um campo de batalha. No carro, duas bandeiras brancas. Mesmo assim, os rebeldes pensaram que no carro vinham inimigos. Hemingway quase foi morto.

A viagem à Espanha resultou em dois trabalhos: a peça 'A Quinta Coluna' e o romance 'Por quem os sinos dobram'. O romance conta a estória de um americano que decide lutar contra os fascistas.

O livro é um sucesso. Hemingway cada dia se tornava mais famoso. Divorciou-se da segunda mulher e casou com a reporter Martha Gellhorn. Foram morar em Cuba.

O casamento não durou muito. Martha fazia longas viagens. E ele bebia para esquecer a solidão.

Com os EUA na Segunda Guerra ele foi para a Inglaterra como reporter.

Durante a guerra conheceu a reporter Mary Walsh, com quem casou em 45.

Depois da guerra, Hemingway começou a trabalhar no seu último e mais importante livro 'O Velho e o Mar'.

Em 1954, ganhou o Nobel de Literatura. Doente demais, não participou da cerimônia.

Ernest Hemingway estava com 60 anos, mas se sentia como tivesse 90. Pior, se sentia incapaz de escrever.

Em 1961, Ernest Hemingway se matou. Entre seus papéis foi encontrado um que descrevia o que mais gostava:

"Chegar a lugares e partir... confiar, desconfiar... não mais acreditar e voltar a acreditar... observar a mudança das estações do ano... passear de barco... observar a neve ir e vir... ouvir a chuva... E saber onde posso encontrar o que procuro."

Ernest Hemingway possuia muitos gatos, especialmente gatos com dedos extras. Hoje, esses gatos são usualmente chamados 'Hemingway' em sua homenagem.

28/07/2007

1794: Robespierre é executado na guilhotina



No dia 28 de julho de 1794, o revolucionário francês Maximilien de Robespierre foi executado na guilhotina. O motivo de sua prisão foram boatos de endurecimento da Lei do Terror. Sua morte marcou o começo da última fase da Revolução Francesa.

"Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza", disse uma das figuras mais importantes da Revolução Francesa, Maximilien de Robespierre, a 24 de abril de 1793.

O jovem advogado Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794) pretendia mudar o destino da França. Desde o início de sua carreira política, destacou-se pela firmeza e forma radical de defender suas idéias. Influenciado por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), defendia um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral, estabelecido em bases democráticas. "O indivíduo é nada; a coletividade é tudo", afirmava, lembrando o famoso Contrato Social de Rousseau.

Robespierre foi co-fundador e líder do Partido Jacobino na Convenção Nacional (parlamento francês de 1792 a 1795). Seus discursos acertavam o nervo da França revolucionária. "É natural que o bom senso avance lentamente. O governo viciado encontra nos preconceitos, nos costumes e na educação dos povos um poderoso apoio. O despotismo corrompe o espírito humano a ponto de ser adorado e, à primeira vista, torna a liberdade suspeita e terrível", afirmara no discurso "Contra a Guerra".

Os ideais da Revolução Francesa - liberdade, igualdade e fraternidade - compunham seu slogan predileto. Robespierre tornou-se famoso como político sério e "incorruptível". Seu objetivo era eliminar privilégios e instituições do Antigo Regime. Propagou idéias revolucionárias para a época, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória e imposto progressivo segundo a renda.

"Os habitantes de todos os países são irmãos; os diferentes povos devem se apoiar mutuamente como cidadãos de um Estado. Quem oprime uma nação declara-se inimigo de todas as nações. Quem guerreia contra um povo para impedir o progresso da liberdade e apagar os direitos humanos deve ser perseguido por todos os povos. Não só como inimigo comum e, sim, como um assassino rebelde e bandido."

Proclamada a república, em 1792, Robespierre mostrou sua nova face. Não hesitou muito para selar o destino do rei, aprisionado por revolucionários. Luís XVI foi julgado, condenado e, a 21 de janeiro de 1793, decapitado na guilhotina. "O terror nada mais é do que a justiça rápida, violenta e inexorável. É, portanto, uma expressão da virtude", justificou Robespierre.

A pretexto de defender a revolução, os jacobinos instalaram um regime de terror na França, em 1793-1794. Sob o comando de Robespierre, a Constituição foi suspensa e foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário. Esses órgãos descambaram depois para a conspiração e execução na guilhotina de membros do próprio partido jacobino, como Georges-Jacques Danton (1759-1794), confundindo inimigos e aliados.

A guilhotina funcionava sem parar. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, deputados moderados da Convenção Nacional tramaram a prisão de Robespierre e seus colaboradores mais próximos. No dia 28 de julho de 1794, deram aos ilustres prisioneiros o mesmo destino que estes haviam dado ao rei Luís XVI: a guilhotina.

Robespierre havia assumido poderes ditatoriais. Calcula-se que o terror jacobino causou dezenas de milhares de vítimas, entre elas o químico Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794). Em apenas 49 dias, Robespierre mandou executar 1400 pessoas. No final, o terror engoliu os terroristas. Um ano após a morte de Robespierre, a França obteve um novo governo, comandado por cinco "diretores".

O chamado Diretório representou o fim da supremacia e do terror dos jacobinos. Em 1795, a Convenção promulgou uma nova Constituição, que, segundo seu relator, Boissy d'Anglas, centrou-se em "garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos".

O poder foi organizado sob a forma de uma república colegiada de notáveis, tendo o Diretório como poder executivo. No período do Diretório (1795-1799), a França mergulhou numa nova crise econômica e social, agravada por ameaças externas. Para manter seus privilégios políticos, a burguesia entregou o poder a Napoleão Bonaparte, que o exerceu com o mesmo absolutismo que havia sido derrubado pela Revolução Francesa.

Catrin Möderler

27/07/2007

De tudo ficaram 3 coisas:

a certeza de que estamos sempre começando...

a certeza de que é preciso continuar...

a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

PORTANTO DEVEMOS

fazer da interrupção um caminho novo...

da queda um passo de dança...

do medo, uma escada...

do sonho, uma ponte...

da procura... um encontro

Fernando Pessoa (1888 - 1935)

26/07/2007

Decisão política

De acordo com o presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério brasileiro da Educação "falta uma decisão política para darmos início à fase de transição, principalmente no que diz respeito às editoras brasileiras", afirmou Godofredo de Oliveira Neto.

Logo que as novas regras comecem a vigorar, inicia-se um período de transição para que os Ministérios da Educação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didácticos possam, gradualmente, reimprimir livros, dicionários, cartilhas e outros materiais.

Em princípio, a ortografia comum da língua portuguesa já pode entrar em vigor, porque três dos oito países lusófonos - Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

O protocolo modificativo permite que o acordo vigore com a ratificação de apenas três países da CPLP.

Portugal já ratificou o acordo, mas ainda falta ratificar o protocolo modificativo.

Segundo especialistas, as modificações propostas no acordo devem alterar 1,6 por cento do vocabulário de Portugal.

Os portugueses deixarão de escrever "húmido" para usar a nova ortografia - "úmido".

Desaparecem também da língua escrita em Portugal o "c" e o "p" nas palavras onde estas letras não são pronunciadas, como em "acção", "acto", "baptismo", "óptimo".

No Brasil, a mudança será menor, já que apenas 0,45 por cento das palavras terão a escrita alterada.

O trema utilizado pelos brasileiros desaparece completamente.

Outro exemplo é o fim do acento circunflexo nas paroxítonas terminadas em "o" duplo ("vôo" e "enjôo"), usado na ortografia do Brasil.

O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação do "k", "w" e "y". Apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.

25/07/2007

O autoritarismo do Roberto Carlos

Parece que a briga que o Roberto Carlos abriu contra o escritor Paulo César de Araújo está fadada ao fracasso.

As histórias 'picantes' de sua vida, narradas na biografia ‘Roberto Carlos em Detalhes’ serão agora publicadas em Portugal, pela editora D. Quixote.

O historiador Paulo César de Araújo levou quinze anos pesquisando a vida do cantor que, irresponsavelmente, entrou na Justiça, ganhando o processo em tempo recorde. Fato anormal no Brasil, já que a Justiça é lenta. Mas, como o juiz era fã do cantor, como ficou demonstrado ao final, quando pediu um autógrafo, o processo foi vapt-vupt.

Esta não foi, porém, a primeira vez que Roberto Carlos reagiu mal à publicação de um livro sobre a sua vida. Em 1979, processou o ex-mordomo Nicholas Mariano, por revelações que este fez sobre a sua vida privada no livro ‘O Rei e Eu’. O cantor conseguiu mesmo que os exemplares da obra fossem queimados nos fornos da Prefeitura de São Paulo.

Vê-se que a violência contra a arte não é de todo desconhecida do 'rei' (??).

24/07/2007

Essa reportagem é engraçada (também pode ser trágica)

"Copiar e colar" conteúdo da internet é uma técnica cada vez mais usada em escolas e universidades. Punição não assusta plagiadores. DW-WORLD.DE conversou com professora de Berlim especializada na caça de plágio.

No verão de 2001, Debora Weber-Wulff, professora de Mídia e Informática da Universidade de Ciências Aplicadas às áreas de Tecnologia e Economia, de Berlim, ofereceu aos seus alunos a opção de escreverem uma monografia em vez de realizarem uma prova final. Trinta e quatro estudantes optaram por essa alternativa.

Na hora da correção, Weber-Wulff encontrou em 12 trabalhos passagens copiadas literalmente sem menção da fonte. Um dos trabalhos tinha sido completamente copiado da internet, com apenas duas alterações: o nome e o sobrenome do autor. A partir daquele momento, ela decidiu se tornar "caçadora de plágio".

Uma tarefa nada fácil, uma vez que o conceito de plágio é bastante flexível. "Copiar de um só livro é plágio, de dois, é um ensaio, de três, uma compilação, e de quatro, uma dissertação", é uma das definições mais irônicas citadas por Weber-Wulff.

A "caçadora de plágio" costuma comparar o plágio a um homem atingido pela queda de cabelo. "Se ele tem cabelo, está claro que não é careca. Se ele não tem mais qualquer fio de cabelo, é óbvio que é um careca. Sobre todas as fases intermediárias, pode-se discutir."

21/07/2007

"Os Contos de Hoffmann"


Ontem assisti a ópera 'os contos de Hoffman' no mesmo Festpiel de Eutin' onde assisti 'Aída, semana passada. Uma maratona já que na semana passada assisti Aída mas pernoitei na cidade. Para a ópera de ontem, saí de Hamburg às 17 horas e só retornei hoje, às 2 da madrugada. Cheguei muída. Mas valeu.

Para contar a estória, pesquisei na internet e encontrei toda a trama pronta no blog De óperas e de lagarto, o que me poupou trabalho e a chance de mostrar o trabalho de outro blgueiro.

A ópera é dividida em três atos com prólogo e epílogo. Composta por Jacques Offenbach, teve Première Mundial em Paris, na Opéra Comique, em 10 de fevereiro de 1881.

Personagens:

Lindorf -- (barítono) Conselheiro regional de Nuremberg.
Andrès -- (tenor) Um criado.
Hermann -- (barítono) Um estudante.
Luther -- (baixo) Um dono de hospedaria.
Nathaniel -- (tenor) Um estudante.
Hoffman -- (tenor) Um poeta e contador de histórias.
Nicklausse -- (mezzo-soprano) Amiga de Hoffmann.
Spalanzani -- (tenor) Um inventor.
Cochenille -- (tenor) Um criado de Spalanzani.
Coppélius -- (barítono) Rival de Spalanzani.
Olympia -- (soprano) Uma boneca mecânica.
Giulietta -- (soprano) Uma cortesã.
Schlemil -- (baixo) Amante de Giulietta.
Pitichinaccio -- (tenor) Outro dos admiradores de Giulietta.
Dapertutto -- (barítono) Um mágico.
Antonia -- (soprano) Uma cantora que herdou o coração fraco de sua mãe.
Crespel -- (barítono) Um conselheiro regional de Munique, pai de Antonia.
Franz -- (tenor) Criado surdo de Crespel.
Dr. Miracle -- (barítono) Um feiticeiro do mal.
Voz da mãe de Antonia, cantada por uma mezzo-soprano.
Stella -- (soprano) Uma cantora de ópera apaixonada por Hoffmann.

Sinopse:

Prólogo: A ópera começa em uma taberna. O Conselheiro Lindorf intercepta uma carta de amor da cantora de ópera Stella para seu namorado, Hoffmann, na qual ela marca um encontro para mais tarde naquela noite. Lindorf está determinado a encontrar Stella no lugar de Hoffmann e conquistá-la para si.

Hoffmann, um poeta e contador de histórias, está entretendo a multidão com uma de suas histórias sobre um pequeno amigo chamado Kleinzach. Hoffmann pretende ir à ópera assistir seu amor mais recente, Stella, cantar em Don Giovanni. A multidão, entretanto, lhe implora para ficar na taberna e continuar a contar suas histórias. Hoffmann concorda em continuar, embora o próximo ato da ópera esteja começando na porta ao lado.

ATO I: Estamos na casa de Spalanzani, que é um inventor de figuras mágicas, fantásticas. Ele está indo revelar a sua última criação, Olympia, uma boneca de tamanho natural. Hoffmann, tendo-a visto de longe, começa a se apaixonar por ela, sem perceber que se trata de um brinquedo mecânico. Nicklausse, amigo de Hoffmann, avisa-o que Olympia não é o que parece ser, mas Hoffmann não o escuta.

Coppelius, que fabricou os olhos de Olympia, diz a Spalanzani que eles ganharão muito dinheiro exibindo a boneca. Coppelius vende a Hoffmann um par de óculos que distorcerão a sua percepção, para que Olympia pareça humana. Spalanzani faz um acordo para pagar 500 coroas a Coppelius, como divisão dos lucros. Casualmente, o dinheiro está guardado com Elias, um banqueiro falido que deve dinheiro a Spalanzani. Coppelius está sendo enganado!

Muitos convidados chegam para ver a última maravilha. Olympia, comandada por Spalanzani, canta e dança. Ela consegue mesmo falar, somente uma palavra, sim ("oui"). Seu canto encanta Hoffmann. Quando ficam sozinhos, eles começam a dançar. Ela dança tão loucamente que Hoffmann cai no chão, quebrando seus óculos mágicos.

Coppelius volta ao perceber que o dinheiro de Spalanzani não é bom, e procura vingança. Ele espera o momento em que Olympia está sozinha e a destrói. Ambos, Hoffmann e Spalanzani, ficam perturbados.

ATO II: Este ato ocorre na casa de Crespel, conselheiro de Munique, e sua adorável filha, Antonia. Ela é bastante frágil e seu pai tem lhe prevenido para não cantar, embora ela ame fazê-lo, porque o esforço a matará, como aconteceu com sua mãe.

Contra a vontade de Crespel, Hoffmann entra e canta com Antonia. Ela se sente mal e sai. Hoffmann se esconde, determinado a descobrir qual é o mistério da doença da jovem.

Dr. Miracle aparece no quarto e realiza um estranho exame em Antonia, sem a presença dela. Seu pai, atrás dele preocupado, implora e grita para que o Dr. Miracle vá embora. Ele está certo que o Dr. Miracle está tentando matá-la.

Antonia volta antes que o Dr. Miracle parta e Hoffmann lhe implora para que ela nunca mais cantar. Com tristeza, ela concorda com a promessa. Ele parte dizendo que voltará para ela. Miracle entra e seduz Antonia a cantar, fazendo com que retrato de sua mãe crie vida e chame por ela. Antonia canta e morre.

ATO III: Estamos em Veneza entre pessoas que procuram por prazer. Hoffmann também, agora está convencido que as únicas coisas que lhe satisfazem são o vinho e a diversão. Ele assegura novamente a seu amigo Nicklause que não tem intenção de se apaixonar. A bela Giulietta convida Hoffmann para apostar no jogo com ela.

Dapertutto, um mágico, jura que destruirá a resolução de Hoffmann de não se apaixonar. Dapertutto oferece a Giulietta um enorme diamante se ela seduzir Hoffmann para amá-la e entregar sua imagem para ela.

Giulietta usa seu charme para seduzir Hoffmann e ele desiste de sua alma olhando para um espelho mágico. Ao se mirar no espelho Hoffman percebe que não mais vê a sua imagem refletida.

Dapertutto fica satisfeito quando Hoffmann duela com o amante de Giulietta, Schlemil, pela chave do quarto dela. Hoffmann mata Schlemil e corre para Giulietta, mas ela se afoga perto de uma gôndola com o anão, Pittichinaccio, enquanto Hoffmann e Nicklausse olham com tristeza.

Epílogo: Estamos de volta à taberna de Luther. Hoffmann está muito bêbado e quando Stella vem procurá-lo depois de sua apresentação, ele está bêbado demais para vir com ela. Lindorf parte com Stella. Nicklausse pede a Hoffmann para permanecer fiel a sua Musa, a poesia.

20/07/2007

"Quanto mais velho mais livre e quanto mais livre mais radical"



(E eu digo: quanto mais leio as suas entrevistas, mais o admiro.)

Entrevista com José Saramago

por JOÃO CÉU E SILVA

As suas declarações criaram um coro de protestos e artigos na imprensa internacional pouco habituais. O que pensa disto? (sobre Portugal se tornar uma província da Espanha).

O que tinha a dizer sobre esta questão de Portugal e de Espanha está dito e não tenho mais nada a comentar. Está tudo na entrevista.

Mas o ministro aceitou classificar a sua profecia como um cenário de ficção literária!

Ah, não concorda...

A que se deve que as suas declarações tenham sido mais comentadas por colunistas no estrangeiro do que em Portugal?

Eu não me quero meter nesse assunto nem comentar as críticas. O que sei das reações não é por via direta, chegam-me já com eco e ainda não sei bem o que é que se disse.

Para quando, então, a Ibéria?

É um assunto para o futuro.

Sente pressões quando fala ou escreve?

Não, exprimo exatamente o que quero e como quero.

Mas tem algum cuidado especial em certo tipo de questões?

Eu falo exatamente o que quero e vale a pena recordar a história de um velho professor de Matemática e amigo - eu hoje em dia até sou mais idoso do que ele era na altura -, que era o Alberto Candeias. Era um senhor que ia muito à editora onde eu trabalhava e que até fez algumas traduções para a Editorial Estúdios Cor, onde estive um bom par de anos. E um dia, estávamos ainda no fascismo, fez-me essa mesma pergunta: se eu pensava aquilo que escrevia nas crônicas que publicava no jornal? Eu respondi-lhe exatamente assim: que posso não ter dito alguma coisa que pensava, mas nunca disse nada que não tivesse pensado. Vivíamos, então, numa época em que poderia antes ter-lhe respondido que podia não ter dito o que pensava, porque a censura não mo permitia, ou coisa do gênero, mas nunca o fiz nem disse nada que não tivesse pensado, que não fosse pensado. Evidentemente que a mentira também é pensada, estou a levar isso em conta, mas nunca disse algo que não fosse uma convicção minha ou pelo menos uma opinião que do meu ponto de vista não estivesse fundamentada.

Muitas vezes, os portugueses acham-no radical?

Eu disse há tempos que quanto mais velho mais livre me sinto e quanto mais livre mais radical sou. Claro que esta questão da idade não se pode aplicar indiscriminadamente, até porque a velhice é a negação de uma liberdade, mas, felizmente, no meu caso tenho saúde e a cabeça funciona. Por isso posso afirmar que de fato quanto mais velho estou mais livre me sinto e essa liberdade levou-me a expressar-me de uma maneira radical, com um radicalismo às vezes forte e próprio daquilo que penso.

E não se arrepende desse radicalismo?

Nunca me arrependi e não me arrependo.

Pensa voltar a viver ainda em Portugal?

Não, já não penso voltar a viver em Portugal. Virei aqui com todo o gosto, até porque tenho amigos cá e esta é a minha terra. Os emigrantes também vivem fora, no fundo, sou um emigrante. Dá vontade de dizer que sou um refugiado político...

Mas considera-se um refugiado político?

Não. Sou uma pessoa que mudou de bairro, alguém a quem um vizinho do patamar de cima incomodava com o muito barulho que fazia e decidiu ir para outra casa. Poderia ter acontecido de outra forma, houve uma altura em que andámos (o casal) a tentar encontrar outra casa, sem deixar aquela perto da Estrela, para estar fora de todo aquele ruído da zona. Então, estivemos em Mafra e andamos pela região a procurar, mas não encontramos nada de jeito e era tudo muito caro. E é quando sucede, uma vez que já conhecia Lanzarote, que nasce a ideia de fazer uma casa na ilha para passar as férias. Obviamente, houve uma espécie de trauma na época que colocou a situação noutros termos e noutro plano. Aqui fui maltratado e censurado pelo Governo... Eu lembro-me de ter ido a Belém falar com Mário Soares e dizer-lhe: "Vou-me embora", porque nada tinha sido corrigido, nem foram pedidas desculpas. E quando achava que tinha a razão do meu lado ao estar contra a proibição de que o meu livro fosse levado ao júri europeu, foi algo que não suportei.

E agora?

Agora, viverei o que faltar, aquilo que ainda tenho para viver e que com esta idade não podem ser muitos anos, mas vou tentar vivê-los bem por várias razões. Não é viver na farra, mas antes como tenho vivido com a Pilar, que foi algo que eu não podia esperar que me acontecesse quando tinha 63 anos e ela 36, e continuar com o meu trabalho. Vou pôr-me a escrever outro livro e ver até onde irei, lá chegará o momento em que, ao sentir que não terei nada para dizer, saberei que o melhor é calar-me.

Mas ainda tem muito para fazer?

Nos próximos tempos tenho a fundação, algo que estou a viver com muita gana e veemência, porque é ao mesmo tempo algo que estou a construir mas de que ao mesmo tempo me vou despedindo - tenho de o assumir, para que é que hei-de estar aqui com precauções, que é um tempo que é de despedida, porque o começa a ser -, no sentido de que a fundação é a vida, o trabalho da Pilar e das pessoas que irão estar ali. Portanto, é como se eu quisesse deixar um testemunho mais: está aqui a obra e está aqui uma coisa a que nós chamamos Fundação José Saramago, que para algo servirá. Dependerá das pessoas que lá estarão, que já estão convidadas, fazer daquilo algo que valha a pena e que se note na vida cultural e também na sociedade.

Quanto à sua biblioteca?

Está em Lanzarote e é para ficar ali. Se um dia a fundação for extinta, os bens pertencerão à Biblioteca Nacional de Lisboa, mas a biblioteca será levada para a Universidade de Granada - que já a está a catalogar -, onde constituirá um núcleo de literatura que tem a ver com a própria cátedra.



19/07/2007

Ópera Aída




Último dia 13 assisti a ópera Aída, no Eutin Festpiel. O teatro open air se encontra dentro de um maravilhoso parque do palácio de Eutin.

A obra, dividida em 4 atos, é do compositor Giuseppe Verdi, com texto de Antônio Ghislanzoni. Foi apresentada pela primeira vez no Cairo no dia 24 de dezembro de 1871, e tem duração de 3 horas.

Os principais personagens são: O faraó, Amneris (filha do faraó), Aída (escrava etíope), Radamés (general egípcio), Amonasro (rei etíope e pai de Aída), Ramphis ( sacerdote supremo), um mensageiro e uma sacerdotisa. Completando o elenco, muitos sacerdotes menores, ministros, soldados, escravos, prisioneiros e o povo.

Primeiro ato: o sul do Egito se encontra mais uma vez ameaçado pelo exército etíope. Para enfrentá-lo, o faraó envia Radamés, que além da fama, deseja conquistar a escrava da filha do faraó, Aída, a quem ama. Com a vitória, ninguém o proibiria de comprar a liberdade de Aída.

Radamés, porém, não conta com a paixão e ciúme que a filha do faraó sente por e dele. Ela desconfia dos olhares que os dois trocam quando Aída entra em cena.

Aída se sente dividida entre o amor por Radamés e a vontade de proteger o pai, a quem ama também. Aqui, o pai, ali, o amado. A quem ela deseja a vitória?

Segundo ato: O ciúme se apossa de Amneris. Ela se embriaga e pratica rituais religiosos mórbidos. Aída entra em cena, o que serve para Amneris se certificar das suas suspeitas. A revelação é cruel: Amneris e Aída amam o mesmo homem!

Radamés retorna vitorioso do duelo, trazendo entre os prisioneiros, o pai de Aída. Como prêmio por sua vitória, o faraó promete-lhe sua filha em casamento. Enquanto Amneris se alegra pelo enlace, Radamés e Aída sentem-se desesperançados.

Terceiro ato: Amneris e Ramphis caminham às margens do Nilo em direção ao templo para rezar.

Aída vai ao encontro proposto por Radamés mas, em vez dele, aparece seu pai que pede-lhe informações sobre o exército egípcio. Ela se nega a trair o amado.

Radamés de aproxima e o pai de Aída se esconde. Radamés sonha com a segunda vitória contra os etíopes. Aída convence-o a fugirem. Ao descobrir seus planos para a nova guerra, seu pai aparece. Aída e Radamés tornam-se traidores.

Nisso aparece Amneris e o sacerdote, vindos do templo.

Quarto ato: Radamés é preso. Amneris tenta salvá-lo. Manda que o tragam da prisão e diz: Defende-te! Salva-te! Livra-te de Aída! Mas Radamés, resignado, tem apenas o desejo de salvar Aída da escravidão. Ele mesmo aceita seu destino: ser enterrado vivo.

Dois sacerdotes cobrem com pedra seu túmulo. Radamés pensa em Aída. De repente, ouve um barulho. Descobre que não está só, Aída escondera-se no túmulo para com ele dividir o trágico destino.

18/07/2007

Mais recursos para estudantes estrangeiros

A partir de 2009, o programa Erasmus Mundus terá orçamento quadruplicado e dará mais oportunidades para não-europeus que queiram estudar por um período na União Européia.

Entre 2009 e 2013, a União Européia disponibilizará 950 milhões de euros para cooperações entre universidades européias e estrangeiras.

O fomento se dará através do programa de intercâmbio acadêmico Erasmus Mundus, versão do Erasmus europeu criado em 2004 e que patrocina estudantes não-europeus que queiram estudar por um ano na UE.

O Comissário de Educação da UE, Ján Figel, afirmou que terá um número maior de países participantes. "Nós recebemos sete vezes mais candidaturas do que vagas disponíveis", explicou. O fomento se destina principalmente a estudantes que queiram fazer um doutorado.

Para obrigar os estudantes a retornarem a seus países de origem, os diplomas do Erasmus Mundus a partir de 2009 só serão válidos após o estudante voltar ara casa.

17/07/2007

Brasil e Portugal assinam acordo para difusão da literatura

A Academia Brasileira de Letras (ABL) e o Ministério da Cultura de Portugal vão assinar um acordo para difusão da literatura entre os dois países, informaram hoje os organizadores do evento.

O acordo será assinado sexta-feira, no Rio de Janeiro, pela ministra da Cultura, Isabel Pires de Limas, e pelo presidente da ABL, Marcos Vilaça, como parte das comemorações do 110º aniversário da criação da instituição.

O acordo tem como objetivos «acolher e promover a circulação de autores e a difusão da literatura entre os dois países», salientou a ABL num comunicado.

Durante a cerimônia, com a presença do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, será aberta igualmente uma mostra com objetos e documentos que fazem parte da história da ABL.

16/07/2007

Die brutale Sprache von Rubem Fonseca

Flávio Nascimento

In den Siebziger Jahren des letzten Jahrhunderts schuf Rubem Fonseca in Brasilien eine neue literarische Stilrichtung. Diese Stilrichtung wurde 1975 als brutal bezeichnet. Diese Charakterisierung, die Alfredo Bosi in dem Buch „O Conto Brasileiro Contemporâneo“ als ein „Adjektiv beschreibt, welches besser auf einen Schreibstil passt, der sich in den Sechziger Jahren entwickelt hat“ (BOSI, 1975), hat einen bedeutsamen Sinn zwischen Verfasser, Werk und Realität.

Rubem Fonseca war als Rechtsanwalt tätig, hat Gerichtsmedizin gelernt, hat als Kriminalkommissar gearbeitet und ein Studium der Betriebswirtschaft in den USA abgeschlossen. Nachdem er die Polizei verließ, war er zunächst Professor für Betriebswirtschaft bei der Stiftung „Getúlio Vargas“ in der Stadt Rio de Janeiro, während der Sechziger Jahre Geschäftsführer bei dem Unternehmen Light und anschließend hat er aktiv an der Bewegung teilgenommen, die den Staatsstreich des Militärs 1964 unterstützte. Alle diese Fakten zeigen uns die Einstellung eines Bürgers, der sich der sozialpolitischen Struktur der Zeit zugehörig fühlt.

Ironie des Schicksals ist jedoch, obwohl er an dem regierungspolitischen Kurs teilgenommen hat und kein Engagement an der sozialpolitischen Kritik gezeigt hat, dass er der Zensur durch das Militär nicht entkam, denn die Militärzensur betrachtete sein Buch „Feliz Ano Novo“ als schädlich für die Gesellschaft „de bens de costumes“ und deshalb nicht passend für das politisch-ideologische Modell des Militärs. So wurde das Buch aus den Buchläden entfernt, nachdem schon über 30.000 Exemplare verkauft wurden, mit der Begründung, dass „das Werk gewaltverherrlichende Figuren und Aktionen nicht sanktioniert.“ (SILVA, 2003).

Die Zeitschriften und Zeitungen, die wirtschaftliche Kritik ausübten, sowie die Literatur, die die politische Richtung angegriffen hat, wurden stark zensiert.

Viele literarische Werke wurden in dieser Zeit von der Militärzensur erfasst, weil sie als subversiv betrachtet wurden. Unter den Autoren waren Ignácio de Loyola (Zero), José Louzeiro (Meu Amor), Renato Tapajós (Câmara Lenta) und Rubem Fonseca (Feliz Ano Novo).

Was mich nach der Lektüre des Buches „Feliz Ano Novo“ besonders erregt hatte, war die Weise wie Rubem Fonseca das menschliche Wesen in einer Atmosphäre voller Gewalt dargestellt hat. Aber was sein Werk von anderen unterscheidet, die auch durch eine Repräsentierung der Gewalttätigkeit hervorstechen, ist die Tatsache, dass in „Feliz Ano Novo“ die Gewalt in einer lebendigen und latenten Art und Weise dargestellt wird. Diese Repräsentierung der Lebensbedingungen in den Erzählungen, symbolisiert etwas, dass in der brasilianischen Gesellschaft gerade in der Zeit passierte, wie z. B. die Unterdrückung und die Brutalisierung des Individuums, welches von der Gewalt der Militärdiktatur und durch das planlose Bevölkerungswachstum in den brasilianischen Großstädten verursacht wurde.

Der Begriff Repräsentierung, der hier in Bezug auf die Gewalt gebraucht wird, insbesondere bei der Fiktion, bezieht sich auf das Argument von Jaccques Leenhardt, das sich in dem Vorwort des Buches von Ronaldo Lima Lins „Violência e Literatura“ befindet, in dem er schreibt:

„Alle Rede über die Gewalttätigkeit ist von ihr notwendigerweise eine Repräsentierung und nicht eine Beschreibung (...) schließlich, ist durch diese Weg, dass sich die Gewalttätigkeit und Literatur so nah befinden werden. So hat die Fiktion der bitteren Aufgabe die Gewalttätigkeit zu unerstreichen und sie innerhalb einer Abbildung zu setzen…“

In diesem Werk zeigt der Verfasser durch eine „linguagem hiper-realista“ unterschiedliche Aspekte einer Gewalttätigkeit auf, die unsere heutige Gesellschaft verschmutzt, hauptsächlich hervorgerufen durch die Zunahme der sozialen Widersprüche überall in den großen Städten. Dieser Fakt quält die vorhandenen Sozialrelationen.

15/07/2007

IMAN MALEKI





Iman nasceu em 1976 em Teerã. Desde criança foi fascinado pela pintura. Aos 15 anos, começou a estudar pintura com quem iria se tonar seu único professor - Morteza Katouzian - o maior pintor realista do Iran. Logo tornou-se pintor profissional. Em 1999 terminou seus estudos na área de Desenho Gráfico, na Universidade de Arte de Teerã. Desde 1998 tem participado de diversas exibições. Em 2000, casou-se e no ano seguinte criou o Estúdio de Pintura ARA onde começou a dar aulas de pintura.

Mais informações sobre o trabalho deste artista no site Iman Maleki

12/07/2007

Sobre a simplicidade


Eu sempre leio e ouço críticas contra o trabalho do Paulo Coelho. Intelectuais escrevem, e professores gritam que suas obras são pobres, sem imaginação, além de serem carregados de erros ortográficos.

Dos professores não tenho visto publicações extensas para avaliar se são bons como exigem dos outros. E dos textos dos intelectuais, publicados em revistas e blogs, fico com a impressão que são escritos para um seleto clube de leitores acostumados a livros grossos e maçantes, parte de bibliografias de algum curso universitário.

Paulo Coelho escreve sobre temas que ocupam boa parte do dia de todos nós, mas que, por 'falta' de tempo, não dedicamo-lhes sequer um minuto. São temas que guardamos no recôndito de nossas almas: medos, angústias, solidão, desejos e sonhos.

Acredito que o sucesso do Paulo Coelho advém da maneira simples dele escrever, sem a pretensão de filosofar.

Para os críticos do escritor e para os que acham que escrever tem que ser complicado, segue uma estorinha retirada do blog do próprio Paulo.

"Do que não é importante

Atravessavam o deserto um administrador, um pintor, um poeta e um crítico. Certa noite, para matar o tempo, resolveram descrever o camelo que os acompanhava.

O administrador entrou na tenda; em dez minutos fez um relato objetivo sobre sua importância. O poeta também usou dez minutos para descrever, em belos versos, a nobreza do animal. O pintor, em traços rápidos, brindou seus amigos com um desenho. Finalmente, o crítico entrou na tenda. Saiu duas horas depois, quando todos já se aborreciam com a demora.

“Eu tentei ser rápido, mas descobri erros no animal”, disse o crítico. “Ele não corre. Ele é incômodo. Ele é feio”.

E estendeu um calhamaço de páginas para os amigos, intitulado: “o camelo perfeito, ou como Deus devia ter criado o camelo."

10/07/2007

Trabalhadores do sexo, uni-vos!

Li recentemente esta tese de doutorado da portuguesa Ana Lopes, trabalhadora na indústria do sexo e fundadora do sindicato dos trabalhadores do sexo, da Inglaterra.

"O livro descreve a luta de um setor da força de trabalho que, alegadamente, sofre mais discriminação, estigmatização e exploração do que qualquer outro. Narra a história extraordinária da criação, por um grupo de profissionais do sexo, da international Union of Sex Workers (ISW) e de como este grupo mais tarde se juntou ao movimento sindical."

Vale a pena.

O livro foi lançado ano passado pela Dom Quixote, de Portugal.

07/07/2007

O que a reforma da Língua Portuguesa vai mudar em nossa vida

Por Ediane Tiago

Pasquale Cipro Neto deve se preparar para dobrar sua carga de trabalho a partir de 2009. Referência absoluta para os que desejam reduzir a agressão à "última flor do Lácio", nosso mestre da língua terá de resolver as muitas dúvidas que surgirão com o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, previsto para entrar em vigor nesse ano.

Com sua adoção, as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal serão resolvidas em 98%. A unificação da ortografia da língua portuguesa - único idioma do Ocidente a ter duas grafias oficiais: a do Brasil e a de Portugal - acarretará alterações na forma de escrita em 1,6% do vocabulário usado em Portugal e de 0,5% no Brasil. Além deles, seis países africanos (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Lester) compõem a comunidade de mais de 200 milhões de pessoas que têm o português como língua oficial.

A unificação da ortografia é importante para o futuro do idioma no mundo, pois o português é a terceira língua ocidental mais falada, atrás apenas do inglês e do espanhol, avalia o Ministério da Educação do Brasil. Uma publicação portuguesa tem de passar por uma revisão para ser lançada no Brasil, enquanto um livro de um autor latino-americano pode ser publicado ao mesmo tempo, com a mesma edição, na Espanha e na América de língua espanhola.

"Mesmo pequenas, as mudanças representam uma enorme diferença na circulação de livros, materiais educativos, intercâmbio de alunos e acordos de cooperação. Trata-se da criação de um mercado global para a língua portuguesa", afirma Carlos Alberto Xavier, assessor especial do ministro da Educação, Fernando Haddad.

As mudanças

Com a reforma ortográfica, o alfabeto brasileiro, que possui 23 letras, ganhará mais três: k, y e w, o que não deve implicar muita alteração. Mas o trema será totalmente eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas, sendo usado só em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, como mülleriano, de Müller.

A regra para uso de hífen também será simplificada e a acentuação gráfica, alterada: não serão assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas, como assembléia, idéia e jibóia.

Pasquale certamente terá menos trabalho ao explicar que não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos crer, dar, ler, ver e seus derivados: a grafia correta será creem, deem, leem e veem. O acento circunflexo usado em palavras terminadas em hiato, como enjôo, também cairá. O acento deixará ainda de ser usado para diferenciar pára (verbo) de para (preposição).

Por outro lado, as novas regras ortográficas obrigarão os portugueses a grafarem algumas palavras como no Brasil. O verbete acção passará a ser ação. Os portugueses também terão de retirar o h inicial de algumas palavras, como em herva e húmido, que passarão a ser grafadas como no Brasil: erva e úmido.

"A unificação propicia a criação de um idioma de trabalho, que é fundamental para os acordos diplomáticos", comenta Mário Mendão, técnico da assessoria jurídica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Entre as vantagens, ele também destaca o fato de a reforma facilitar o intercâmbio de estudantes entre os países de língua portuguesa. "Do jeito que está, temos dois idiomas."

Promoção da língua

Para as palavras que admitem diferentes pronúncias, manteve-se a possibilidade de duas grafias. Os brasileiros escreverão fato, e os portugueses, facto. As duas formas de grafar esse substantivo serão consideradas corretas nos países signatários do acordo. "A unificação da ortografia elimina a necessidade de traduzir obras para o padrão português ou brasileiro. Facilita também a troca de conteúdo entre os países", exemplifica Mendão.

O fato de existirem duas ortografias, argumenta o Itamaraty, dificulta campanhas de divulgação do idioma e a sua adoção em fóruns internacionais. Com isso, a entrada em vigor do acordo será essencial para a definição de uma política de promoção e difusão da língua portuguesa.

Para Antônio Houaiss (1915-1999), negociador brasileiro do acordo ortográfico e elaborador da Nova Ortografia da Língua Portuguesa (1991), a unificação da ortografia não implica uniformização. "Portugal, Brasil e os países africanos de língua portuguesa reconhecem que a inexistência de uma única ortografia oficial traz não apenas dificuldades de natureza lingüística, mas também de natureza política. Daí o esforço desses países em efetivar o novo acordo", escreveu.

No Brasil, o acordo ortográfico foi discutido no Congresso Nacional por mais de dez anos, aprovado em 2001 e logo em seguida sancionado pelo presidente da República. Em dezembro de 2006, o acordo foi sancionado pelo governo de São Tomé e Príncipe. Com isso, a CPLP poderá definir a data para início da vigência do acordo. O requisito estabelecido no protocolo de mudança já foi atendido.

Vantagens diplomáticas

Para os lingüistas e livreiros, entretanto, o acordo não traz contribuições à língua escrita no Brasil e criará problemas. Bruno Dallari, professor de lingüística da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), alerta que não há possibilidade de unificação da grafia - e a entrada em vigor das regras propostas deve apenas confundir estudantes e professores.

Ele explica que o próprio acordo prevê a manutenção de sinais diferentes para palavras iguais. Dessa forma, os brasileiros continuarão escrevendo Antônio, enquanto em Portugal se escreverá António. A manutenção de grafias diferentes também atinge palavras como úmido e húmido, que têm o mesmo sentido. "Agora será preciso explicar para os alunos que é possível escrever de dois jeitos."

Os alunos também sofrerão com as regras facultativas. Pelo acordo, Portugal precisa extinguir a letra c muda em palavras como ação e exato (grafada exacto pelos portugueses). Mas o uso da letra c muda continua facultativo em palavras como setor (sector).

"Mais do que sonora, a letra c diferencia algumas palavras. Fato significa terno para os portugueses. Por isso, eles manterão a grafia facto quando se referirem a algo que aconteceu", explica Dallari.

Apesar das divergências lingüísticas, as vantagens diplomáticas são defendidas pelo governo brasileiro e pela Academia Brasileira de Letras (ABL), que vêem com bons olhos a implementação das reformas em 2009. Basta saber se a equipe de Luiz Inácio da Silva conseguirá preparar o país para a nova versão da língua portuguesa, que foi deixada na gaveta dos Ministérios da Educação de José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Alice Saboia, lingüista especialista em ortografia portuguesa e professora de pós-graduação em lingüística da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a demora para a adoção deve-se ao atraso na homologação do acordo por parte dos países africanos. "Esses países têm problemas muito sérios para resolver e o acordo não ganha importância nesse ambiente", justifica.

Além disso, ainda falta definição em alguns países sobre a manutenção da língua portuguesa como idioma oficial. "Moçambique dá sinais claros de que adotará a língua inglesa e utiliza até mesmo livros didáticos nesse idioma em suas escolas", comenta.

Meio editorial

Atualmente, o mercado comum português é estimado pela CPLP em 220 ou 230 milhões de pessoas, somando as populações dos países que integram a comunidade. Mas o número de falantes de língua portuguesa é divergente entre os especialistas.

Dallari, da PUC, esclarece que apenas as populações do Brasil (186,7 milhões) e de Portugal (10,7 milhões) podem ser consideradas na totalidade. "Nos demais países, podemos adotar uma média de 10% de falantes de língua portuguesa, o que resultaria em um mercado externo de cerca de 3,5 milhões de pessoas", calcula.

Por causa da concentração e da relação entre os países lusófonos, Xavier admite que no Brasil e, até mesmo, em Portugal muitas pessoas não vêem o acordo com simpatia. É o caso de Armando Antongini, diretor-executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que critica a reforma e alega que a homologação do acordo pelo Brasil não passou de um arroubo diplomático. Não houve, na opinião dele, nenhuma discussão sobre o impacto no mercado editorial.

"Gostaria de entender: por que o Brasil, que é o maior país de língua portuguesa, tem de aproximar sua ortografia de Portugal?", questiona, lembrando que as mudanças abrirão um enorme mercado para os livreiros portugueses. "O contrário não é verdadeiro, uma vez que os livros impressos no Brasil não são bem-aceitos no mercado português", alfineta.

Já o professor Evanildo Bechara, membro da ABL, acusa os livreiros portugueses de praticarem lobby para retardar a reforma. De acordo com ele, há grande preocupação em relação aos estoques atuais, que seriam rejeitados pelos consumidores por não estar na nova ortografia: "Os livreiros acabaram de publicar grandes versões, uma reforma agora seria um desastre para os negócios."

Para ele, a influência dos livreiros prejudica a unificação da ortografia, porque ela está intimamente ligada à língua escrita. "Essa é uma visão limitada. É preciso analisar a questão do ponto de vista da oportunidade. O que significa a abertura desse mercado?", pergunta. Além disso, Bechara destaca que as diferentes ortografias aumentam os custos das edições por exigir traduções na mesma língua.

Livros didáticos

Do ponto de vista da Câmara Brasileira do Livro, é preciso proteger o mercado nacional, já que não há uma boa relação comercial entre Brasil e Portugal no mercado editorial. De acordo com a CBL, o Brasil produziu, em 2005, 41,5 mil títulos e vendeu mais de 270,3 milhões de exemplares, totalizando um faturamento de R$ 2,6 bilhões.

Uma pesquisa realizada pela entidade aponta que, em 2000, 53,3 milhões de brasileiros leram ou consultaram algum livro. No mesmo ano, apenas 20% dos entrevistados declararam ter comprado em média 5,92 livros não didáticos. "O potencial é muito grande."

Focado no mercado interno, o setor livreiro nem sequer mapeou a receita que pode ser gerada pela entrada dos países africanos no acordo ortográfico. "Não acreditamos em bons negócios nessa região no momento", destaca Antongini.

Na ponta do livro didático, também é o mercado brasileiro que garante o faturamento. "Ainda não realizamos nenhum tipo de estudo sobre o mercado externo para livros didáticos brasileiros", confirma Roberta Martins, editora de livros de línguas da Scipione.

Nesse segmento, as atenções estão voltadas para o número de brasileiros em idade escolar - um mercado cativo de fácil mapeamento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 o grupo formado por brasileiros em idade escolar (de 5 a 14 anos) será de 33,9 milhões.

Por isso, as editoras de livros didáticos não questionam ou criticam o acordo, apenas esperam as decisões governamentais para iniciar as alterações necessárias. "As maiores adaptações ocorrerão nas gramáticas e nos dicionários. O trabalho será hercúleo e teremos dois anos para atender a todas as modificações", explica Roberta.

Registrar e ensinar

Mesmo com a diversidade de opiniões, Walmírio Eronides de Macedo, membro da Academia Brasileira de Filologia, acredita que o acordo entrará em vigor em breve. Segundo ele, as regras estão em fase final de aprovação e os brasileiros reagirão bem a elas, como foi o caso de outras reformas ortográficas, ocorridas em 1943 e em 1971.

"O acordo respeita a pronúncia e as características culturais de cada país. Por isso, deve ser assimilado em pouco tempo", declara, lembrando que os filólogos ainda não fizeram nenhuma medição exata no impacto das mudanças nos dicionários. "São necessárias a homologação e a contribuição de todos os países para a realização desse trabalho."

Xavier observa que, para realizar as alterações necessárias, os editores contam com recursos eletrônicos que ajudarão muito na revisão das obras. "Além disso, há um período de transição. O livro é um bem de consumo durável e conviveremos com as duas grafias. O importante é registrar e ensinar as diferenças."

Essa reciclagem é exatamente o que preocupa Alice, da UFMT. Para ela, o impacto da reforma só poderá ser medido daqui a uma ou duas décadas e a forma como os professores serão treinados é que garantirá o sucesso. "Quando cheguei a Mato Grosso para dar aulas em 1982, fiquei surpresa com o fato de os alunos do primeiro ano do curso de Letras não acentuarem palavras como você", lembra.

"Quando questionei sobre isso, eles afirmaram que todos os acentos haviam caído com uma reforma". Essa referência é da reforma ortográfica de 1971, que retirou o acento circunflexo, utilizado como diferencial de pronúncia, de palavras como doce (que se grafava dôce) e gelo (gêlo).

Respeito mútuo

Para testar as normas do novo acordo, Alice realizou em 1992 uma pesquisa com alunos de primeiro e segundo graus. "Verifiquei que os falantes de língua portuguesa têm dificuldades com a definição de vocábulos desconhecidos. Nesse ponto, a perda do acento dificulta muito a pronúncia", comenta.

Como exemplo ela cita a extinção de acento em palavras como idéia e geléia. "Os alunos tiveram dificuldades em ler palavras sem a distinção gráfica do acento", conta.

Enquanto os falantes de língua portuguesa se ressentem das mudanças ocorridas de tempos em tempos, Alice alerta que os acordos ortográficos precisam ser respeitados em todos os países que o homologam. Como exemplo, ela cita a falta de concordância entre Brasil e Portugal em acordos anteriores.

"Em 1943, os dois países definiram uma reforma. O Brasil implementou, mas Portugal adotou outras regras em 1945. Temos de tomar cuidado para que o acordo assinado em 1990 não caia na sina de ser mais um documento assinado para não ser cumprido."

Valor Econômico

06/07/2007

Biblioteca Estadual da Baviera e o Google

O acervo da Biblioteca Estadual da Baviera compreende 9 milhões de livros. O Google pretende digitalizar 1 milhão de volumes e disponibilizar este conteúdo na internet.

A Biblioteca Estadual da Baviera (BSB), em Munique, é a segunda maior biblioteca de pesquisa da Alemanha, depois da de Berlim. Com um dos mais importantes acervos de fontes escritas do mundo, a BSB comemora 450 anos de existência em 2008.

Com suas obras de referência, manuscritos valiosos, mapas e 40 mil assinaturas de periódicos, essa biblioteca oferece um amplo repertório de fontes de pesquisa aos usuários. O edifício principal da BSB, na capital bávara, já não comporta há muito tempo este patrimônio: mais da metade do acervo está armazenado em um depósito fora dos portões da cidade. Um veículo transporta os livros de um prédio para o outro diversas vezes por dia.

03/07/2007

Muita música censurada no (des) governo militar

Dêem uma passada no site Censura Musical. Mostra textos de músicas censuradas, e a razão (o que em hipótese alguma engrandece os censuradores. Mostra apenas o quanto seus cérebros eram limitados).

Aqui estão alguns exemplos.


Autor: Gilberto Gil
Música: Tradição
Parte(s): Parte 1
Páginas: 2
Resumo: O documento trata-se de um comunicado interno da DCDP. Na ocasião, o Diretor Rogério Nunes pede atenção aos censores com relação às palavras “barbalho” e “porrada”.

Autor: Chico Buarque
Música: Tanto Mar
Parte(s): Parte 1; Parte 2
Páginas: 5
Resumo: A letra é vetada por supostamente trazer conteúdo de cunho político. Segundo a censora, o autor refere-se à Revolução Socialista de Portugal. Ao se referir às menções de Chico, a censora chega a classificar a obra como “ridícula”.

Autor: Gilberto Gil
Música: Sonho Molhado
Parte(s): Parte 1
Páginas: 4
Resumo: A censura considerou impróprios e vulgares alguns versos de Sonho Molhado e, por isso, sugeriu o veto da canção. (vide folha 3)

Autor: Zé Rodrix e Paulo Coelho
Música: Somos O Que Você Quizer
Parte(s): Parte 1
Páginas: 3
Resumo: O veto desta canção é um típico exemplo da censura discriminatória. A justificativa dos censores é objetiva e cita a moral e os bons costumes como razão da proibição.

A entrevista do Ravel, da dupla Dom e Ravem, é primorosa. Mostra que uma história tem sempre dois lados, e que é chegada a hora deixar as feridas cicatrizarem.