27/04/2009

Aos navegantes

Quero avisar que houve mudança no Projeto de Lei do Divórcio para nós que vivemos no estrangeiro. O Projeto passou pela última comissão que a aprovou.

Com a anarquia em que o Congresso Brasileiro vive, sob constantes roubalheiras sendo descobertas, temos que manter a paciência.

Quem sabe, depois dos parlamentares cuidarem dos seus interesses particulares, sobre um tempinho para nós, povo, e a Lei seja aprovada.

21/04/2009

Combate à discriminação não é questão de Estado para alemães e europeus

Pesquisas indicam que agressividade contra estrangeiros, homossexuais e minorias étnicas e religiosas é propagada na Alemanha e na Europa. Europeus tentam combater a discriminação com a lei – e encontram resistência.

Apesar de grandes protestos por parte de deputados conservadores, o Parlamento Europeu aprovou no início do mês de abril uma nova diretriz abrangente contra a discriminação. A meta é proteger minorias religiosas, homossexuais, deficientes e idosos contra tratamento discriminatório no cotidiano.

Até então, as leis da União Europeia nesse sentido se limitavam em grande parte à vida profissional. Parlamentares social-democratas, verdes e, em parte, liberais votaram a favor do documento, enquanto os democrata-cristãos o rejeitaram como "burocrático".

Em termos de discriminação, o Parlamento Europeu só desempenha uma função de aconselhamento. No entanto, seu parecer influencia a decisão final a ser tomada pelo Conselho de Ministros da União Europeia.

O governo alemão encara a nova diretriz com ceticismo, mas não pretende bloqueá-la no Conselho. Ao que tudo indica, todavia, o documento não deverá ser submetido ao crivo dos ministros antes das próximas eleições parlamentares alemãs, em setembro próximo.

Segundo o Parlamento, a diretriz ainda deverá regulamentar uma série de exceções. Os deputados ressaltaram que as leis nacionais de dissociação entre Igreja e Estado não deverão ser tocadas. O mesmo vale para o direito de família, para os âmbitos de educação e formação profissional, para a proteção social e o sistema de saúde. A diretriz também não se aplica às áreas de propaganda e mídia.

Estudo disseca mentalidade discriminatória

Na Alemanha, um estudo encomendado pela Agência Federal Antidiscriminação e recentemente divulgado tornou visível a propagação de preconceitos contra grupos sociais mais afetados pelo tratamento discriminatório. Realizada entre julho de 2007 e abril de 2008, a pesquisa feita pelo Instituto Sinus, de Heidelberg, concluiu, por exemplo, que os defensores realmente convictos de uma política de combate à discriminação só representam 15% da população alemã.

Para a maior parte dos entrevistados, há outras questões mais preocupantes, como a estabilidade dos sistemas de seguridade social e a justiça social. Essas são consideradas tarefas políticas prioritárias, enquanto a discriminação – por mais que condenada de forma genérica – não é vista como uma questão de Estado. Quarenta por cento dos entrevistados consideram supérflua a política antidiscriminação.

O estudo que envolveu 2.160 pessoas de diferentes segmentos sociais não se considera representativo do ponto de vista estatístico, mas mostra como a sensibilidade em relação à discriminação é diversificada, dependendo do meio sócio-cultural do entrevistado e do grupo alvo de discriminação.

Na Alemanha, o engajamento contra o tratamento desigual na sociedade parece ser, pelo menos verbalmente, uma característica das elites. Nos segmentos mais tradicionais e nas classes mais baixas, a tendência é de as pessoas se verem, elas mesmas, como socialmente desfavorecidas e exigirem para si mais proteção contra discriminação e sobretudo melhoria material. Isso significa que os grupos considerados mais suscetíveis à discriminação são vistos como concorrentes.

O reconhecimento de quem é vítima de discriminação na sociedade também é bem diferenciado. Enquanto pessoas de origem étnica diferente, deficientes e idosos são amplamente reconhecidos como desfavorecidos, outros tipos de discriminação mal são mencionados espontaneamente.

Da compaixão pelos deficientes ao nojo por homossexuais

O estudo comprovou em diversos meios sociais "reservas fortes e emocionalmente carregadas contra estrangeiros e migrantes". Isso se manifesta como desconfiança e medo irracional de que o país possa ser ocupado por um número excessivamente grande de estrangeiros.

"Sobretudo nos meios tradicionais e de classe baixa, percebe-se puro ódio contra pessoas de outra origem étnica ou cor de pele", constata a pesquisa. "Nesses ambientes é propagada a convicção de que não são os imigrantes que precisam de proteção estatal contra a discriminação, mas sim os 'nativos', 'o próprio povo'."

O tema da discriminação motivada por religião ou visão de mundo é primordialmente associado ao islamismo e à imagem negativa que hoje pesa sobre os muçulmanos no Ocidente. O islã é automaticamente vinculado ao fundamentalismo religioso.

À parte dessa especificidade do islamismo, a maior parte dos entrevistados rejeita uma manifestação pública e visível de religiosidade como "fundamentalismo" ou "fanatismo".

Uma opinião também propagada é a de que toda religião ou visão de mundo se considera mais certa do que as outras, tendendo obrigatoriamente à discriminação de outras crenças. Justamente por isso, a grande maioria dos entrevistados não considera necessário proteger sobretudo os representantes ativos de uma religião.

Quanto à posição da mulher na sociedade alemã, a tendência é que se reconheça que existe discriminação, sobretudo entre as classes mais altas. Embora esse meio se mostre ciente de que o processo de emancipação ainda não foi concluído, costuma-se rejeitar a "cota de mulheres" no mercado de trabalho como uma decisão equivocada e burocrática. Entre os jovens, por sua vez, a maioria considera evidente que haja uma proteção contra discriminação específica do gênero.

Outro consenso constatado pelo estudo é o de que os idosos são marginalizados e desrespeitados na sociedade alemã. Os deficientes físicos e mentais também são vistos como um grupo merecedor de uma proteção especial contra discriminação.

Agressões contra homossexuais propagadas na Europa

Quanto à discriminação por motivos de identidade sexual, o estudo encomendado pelo governo alemão comprovou a existência de "barreiras profundamente enraizadas e preconceitos proporcionalmente virulentos, desde sentimentos de nojo até o ódio, contra inclinações sexuais que divirjam do mainstream".

Essa também é a constatação de um relatório recente da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA), segundo o qual o abuso e a violência contra homossexuais e outras minorias sexuais são "amplamente propagados" na Europa. Essa discriminação se faz sentir tanto nas escolas, como na vida profissional e no sistema de saúde, divulgou a agência.

Os casos mencionados pelo relatório vão desde agressões verbais até assassinatos. A FRA mostrou sua preocupação sobretudo com a falta de números precisos. "Sabemos que apenas poucos casos são denunciados à polícia ou outros órgãos públicos", declarou o diretor da FRA, Morten Kjaerum. A agência exige que a União Europeia amplie a proteção legal contra discriminação, estendendo-a também aos âmbitos de habitação, educação e saúde.

O relatório não aborda a discriminação em países específicos da UE, mas deixa claro que certos problemas são mais propagados no Leste Europeu. Quando à discriminação de homossexuais, o estudo menciona expressamente a Bulgária, República Tcheca, Estônia, Letônia, Polônia, Hungria e Romênia, além da Suécia e da Itália. De acordo com um porta-voz da FRA, a Alemanha não é destacada pelo relatório, "nem em sentido positivo, nem em negativo".

Autora: Simone de Mello - Revisão: Roselaine Wandscheer

16/04/2009

Denúncia de ataque a brasileiros acende debate sobre xenofobia na Espanha

Uma denúncia de agressão a duas crianças brasileiras em uma escola de Madri reacendeu na Espanha a polêmica sobre xenofobia nas instituições de ensino do país. A empresária paulista Mônica Patusca afirmou que seus filhos, Carlos Henrique, de 12 anos, e Ana Karina, de 9, foram alvo de agressões físicas e xingamentos racistas por parte de outros alunos do colégio pelo fato de serem estrangeiros.

O caso ganhou destaque na imprensa espanhola e levou o governo da Espanha a reconhecer que estudantes imigrantes são alvo de xenofobia nas escolas do país.

Mônica, que mora com os filhos na Espanha há quatro meses, disse à BBC Brasil que Carlos Henrique "chegou em casa com as pernas roxas várias vezes", afirmando ter sido agredido por um grupo de garotos da própria turma, da 7ª série do colégio Enrique Tierno Galván, em Madri.

Segundo ela, o filho está fazendo tratamento psicológico para suportar "uma perseguição xenófoba que acontece desde o primeiro dia de aula, com xingamentos e violência física".

Mônica contou ainda que chegou a prestar queixa na polícia com um boletim médico, mostrando que a filha sofreu agressão física durante o recreio. Ela também pediu ajuda ao consulado brasileiro em Madri, que mandou uma carta à escola relatando a reclamação da mãe dos alunos.

Segundo a empresária, que mora em Madri com os filhos desde dezembro de 2008, o colégio não tomou providências. Procurada pela BBC Brasil, a escola Enrique Tierno Galván não respondeu às acusações. A diretora Elena Maria Perex disse que a instituição "não faz declarações à imprensa".

Pesquisa

A denúncia de Mônica trouxe de volta ao país a preocupação com casos de xenofobia nas escolas espanholas. Um relatório de especialistas em educação e sociologia confirmou recentemente a situação vulnerável dos estudantes imigrantes. Segundo o informe do Observatório Estatal de Convivência Escolar - feito pelo Ministério de Educação no segundo semestre de 2008 - há grandes índices de rejeição dos estudantes espanhóis em relação a alunos estrangeiros.

Baseado numa pesquisa feita com 23.100 estudantes e seis mil professores do Ensino Fundamental de 300 colégios, a conclusão é de que os alunos espanhóis são pouco tolerantes para com os imigrantes. Quase a metade dos consultados, 46%, diz que prefere não fazer trabalhos escolares com companheiros latino-americanos.

Dois terços dos alunos afirmaram ainda que optariam por não estudar ao lado de ciganos, judeus ou marroquinos. Dos coletivos de imigrantes, os únicos bem-vistos são americanos e europeus ocidentais.

Segundo o ministério, o estudo tem como objetivo revelar as barreiras existentes a um convívio pacífico entre estudantes imigrantes e espanhóis, e criar "novas bases para resolver o problema".

Mas os autores do relatório admitem que a política de integração está falhando.

"Os coletivos imigrantes estão sob um grande risco de sofrer intolerância em seus âmbitos de atuação e, o que é mais grave, não houve melhora alguma dos últimos anos para cá em nenhum dos métodos de integração e informação", disse à BBC Brasil a diretora do informe, Maria Diaz-Aguado, catedrática de Psicologia da Educação da Universidade Complutense de Madri.

Falhas

A pesquisa revelou ainda que professores e alunos não estão de acordo com a orientação dada nas escolas sobre racismo e xenofobia. Apesar de 90% dos docentes terem respondido que seus colégios estão trabalhando para dar uma boa acolhida aos estudantes estrangeiros, 64% dos alunos acham que isso não é o que acontece. Sete entre dez alunos disseram que não têm boa formação ou informação sobre racismo e xenofobia, nem sabem o bastante sobre tolerância e respeito a outras culturas.

O informe também abordou a violência nas escolas, indicando que 80% dos estudantes são contra agressões racistas e xenófobas e 8% são favoráveis. Uma pequena parte dos alunos inclusive admitiu a participação em atos de violência dentro dos colégios; 3.4% disseram ter sofrido agressões físicas ou verbais e 2.4% disseram já ter agredido alguém.

Entre os agressores, 18% afirmaram que a cor da pele é um fator relevante para cometer um gesto violento e que ciganos e imigrantes são "alvos mais fáceis", principalmente os menores porque "circulam sozinhos e não se defendem".

"A escola é um microcosmos que responde à sociedade ao redor. Que haja casos de agressões físicas e verbais é gravíssimo", disse à BBC Brasil, Mariano Fernandez Enguita, catedrático em Sociologia pela Universidade de Salamanca e co-autor do informe.

Ele afirmou ainda que a Espanha "passa por um momento de ressaca da imigração alentado pelo debate político e a crise econômica" e que a solução está em criar políticas educativas que promovam a convivência.

12/04/2009

"Tico-Tico no Fubá", de Zequinha de Abreu



"Tico-Tico no Fubá", choro composto por Zequinha de Abreu (1880-1935), talvez a música brasileira mais conhecida no mundo. Apareceu em cinco filmes americanos.

"Tico-Tico no Fubá",interpretada pela "Orquestra Filarmônica de Berlim" e regida pelo maestro israelense/argentino Daniel Barenboim (1942).

1961: Julgamento de Adolf Eichmann

por Rachel Gessat

Sequestrado pelo serviço secreto de Israel na Argentina, onde vivia sob nome falso, Eichmann foi condenado à morte

No dia 11 de abril de 1961, iniciou-se em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, responsável pela deportação de centenas de milhares de judeus para campos de concentração.

O prédio do tribunal em Jerusalém parecia uma fortaleza. Centenas de policiais controlavam as saídas. Especialmente para os 500 jornalistas que faziam a cobertura do julgamento, foi montada uma sala com telégrafos e telefones. Protegido por vidros blindados, o réu insistiu o tempo todo em sua inocência.

O julgamento de Adolf Eichmann, chefe da Seção de Assuntos Judeus no Departamento de Segurança de Hitler, foi o segundo maior julgamento de nazistas depois do processo de Nurembergue, que aconteceu logo em seguida à Segunda Guerra Mundial. A condenação de Eichmann foi baseada no depoimento de mais de 100 testemunhas, em duas mil provas e 3.500 páginas do protocolo da polícia israelense.

O mundo esperava ver um monstro, um anti-semita brutal, um nazista fanático. O réu, por sua vez, passou a imagem de um burocrata que teria apenas assinado documentos. Os peritos lhe atestaram a condição de subalterno de pouca iniciativa própria e sem senso de responsabilidade. Após o julgamento, que foi transmitido pela televisão, intelectuais chegaram a se confessar chocados com o fato de Eichmann não ter sido um seguidor fanático de Hitler.

Ele insistia que apenas cumpriu ordens e jamais preocupou-se em questioná-las. Apenas um exemplo: em março de 1944, Eichmann foi mandado à Hungria, onde organizou a deportação de 800 mil judeus. Em menos de dois meses, 147 trens com 434 mil pessoas para as câmaras de gás de Auschwitz.

Execuções "desumanas" para os carrascos

Da mesma forma como colaborou com o regime nazista, ele cooperou com a polícia e a Justiça de Israel, mas nunca demonstrou qualquer forma de arrependimento. A partir de sua escrivaninha, havia coordenado a perseguição, o roubo e a deportação de milhares de judeus, marcados para morrer nos campos de concentração. Eichmann conhecia o destino dos prisioneiros. Assistiu às execuções em massa a tiros e nas câmaras de gás e chegou a considerá-las "desumanas", não para as vítimas, e sim para os carrascos.

Eichmann foi preso por soldados norte-americanos em 1945 e não revelou sua identidade. Um ano depois, conseguiu fugir com outros presos e começou a trabalhar no norte da Alemanha como lenhador, sob nome falso. Em 1950, fez contato com a Odessa, uma organização secreta de ex-oficiais da SS, que o ajudou a fugir. Na Itália, teve o apoio de um padre franciscano que conhecia sua identidade e lhe providenciou documentos falsos.

Sequestro e transporte para Israel

Com o nome de Ricardo Klement, ele emigrou para a Argentina e mais tarde também transferiu para lá mulher e filhos. O serviço secreto israelense Mossad o descobriu e o sequestrou em 1960. Depois de passar 11 dias amarrado a uma cama, foi obrigado a assinar um documento em que aceitou seu julgamento num tribunal israelense.

O Mossad teve sorte, pois talvez não tivesse conseguido retirar o prisioneiro clandestinamente da Argentina, caso a esposa de Eichmann tivesse registrado queixa na polícia em Buenos Aires. Para isso, ela teria que revelar a verdadeira identidade da família. O que, por outro lado, poderia ter poupado a vida de Eichmann, se fosse julgado por seus crimes nazistas na Alemanha, onde não existe pena de morte.

Enquanto aguardava o julgamento, escreveu suas memórias, nas quais insiste em sua condição de mero cumpridor de ordens superiores durante a Segunda Guerra Mundial. O julgamento de Eichmann durou um ano e terminou com sua condenação à morte. A execução aconteceu pouco antes da meia-noite de 31 de maio de 1962.


Fonte: DW

07/04/2009

Imigrantes sul-americanos na Europa retornam à América Latina depois da crise

A crise econômica mundial está fazendo com que a grande leva de latino-americanos, que deixou o continente na metade da década de 1990 rumo à Europa, tome o caminho de volta para casa.

Na Europa, a Itália e a Espanha foram, na década de 1990, os destinos preferidos de imigrantes sul-americanos, que procuravam melhor sorte no Velho Continente.

Segundo dados da Secretaria espanhola de Imigração e Emigração, cerca de 4 mil desempregados já se inscreveram no chamado plano de retorno voluntário, criado pelo governo espanhol e em vigor desde novembro de 2008. Destes inscritos, 1.688 são do Equador, 713 da Colômbia e 393 da Argentina.

Nos últimos anos, o crescimento e a rotatividade da população estrangeira na Espanha foram avassaladores. No começo da década de 1990, a maior parte dos 360 mil estrangeiros registrados no país era composta por britânicos (13,9%), marroquinos (13,7%) e alemães (8%). Em 2002, o número de estrangeiros subiu para mais de 1,3 milhão de imigrantes, um total composto por marroquinos (21,3%), equatorianos (8,7%) e colombianos (5,4%).

Os números de 2008 apontaram que, após a admissão de países do Leste Europeu na UE, de um total de quase 4,5 milhões de imigrantes, a quantidade de romenos (715.700) superou a de marroquinos (681.829), seguidos de equatorianos (387.927) e colombianos (259.946).

Mudanças vertiginosas

Yaneth Cadena, jornalista colombiana que vive há nove anos em Barcelona, apresentava um programa de televisão direcionado a imigrantes. A crise, no entanto, obrigou o canal a cortar pessoal, conta Cadena à Deutsche Welle.

Segundo ela, num determinado momento uma leva de imigrantes latino-americanos encontrou oportunidades de trabalho na Espanha. No entanto, as mudanças nas estruturas sociais espanholas foram vertiginosas, acresce a jornalista.

"Anteriormente, quando íamos tratar da documentação, eram somente duas pessoas fazendo fila. Há três ou quatro anos, as pessoas já tinham que dormir ali para conseguir seus documentos. Vieram então as anistias pelas quais os imigrantes puderam legalizar sua situação, optar por trabalho digno e ter direito a seguro-desemprego", relata Cadena.

No caso da Espanha, os anos da grande leva de imigração latino-americana coincidiram com uma boa fase para o ramo da construção civil. Muitos imigrantes encontraram emprego nesse setor do mercado de trabalho, como também nos serviços domésticos.

Plano de retorno voluntário

Gloria Carbo Proãno, encarregada de assuntos consulares na Embaixada do Equador em Berlim, explica que o problema é grave, porque foi justamente o setor imobiliário o que mais sofreu com a crise. Mas também o setor de serviços foi atingido, já que em tempos de dinheiro curto, os gastos com serviços são os primeiros a serem cortados. "Principalmente na Itália e na Espanha, países de maior imigração, os imigrantes sul-americanos estão sentido tais efeitos", explica Carbo Proãno.

Para enfrentar a situação, o plano de retorno voluntário dos espanhóis oferece a imigrantes – que trabalhavam de forma legal, pagavam encargos sociais e querem retornar ao seu país – um montante correspondente ao seguro-desemprego, acrescido de uma ajuda complementar para o translado ao país de origem.

A condição é deixar a Espanha em um prazo máximo de 30 dias, contados a partir da data do recebimento da primeira ajuda do governo. A segunda parcela é recebida em casa. Os familiares do imigrante também têm que retornar. Caso contrário, não poderão mais voltar à Espanha para morar ou exercer qualquer tipo de atividade remunerada. Esse plano de retorno vale para países com os quais existam convênios bilaterais com a Espanha, como é o caso de 11 nações latino-americanas.

Imigrantes sul-americanos na Alemanha

Quanto à Alemanha, a funcionária da embaixada do Equador em Berlim explica que os imigrantes de seu país estão numa situação um pouco singular. A grande maioria dos imigrantes equatorianos no país está constituída por estudantes, que resolveram ficar e dispõem de trabalho. Ou por pessoas que se casaram com cidadãos alemães.

Segundo Carbo Proãno, não existe na Alemanha o fenômeno do imigrante equatoriano trabalhador, como acontece em grande escala na Itália ou Espanha. Pelo idioma e pelo clima, a imigração na Alemanha tem outro aspecto. Isso não quer dizer que não haja imigrantes que chegaram com a leva de imigração entre 1999-2000, explica.

Segundo dados de 2008 do Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha, vivem no país atualmente por volta de 73 mil imigrantes sul-americanos. A maior parte deles é composta pelos cerca de 32 mil brasileiros, 10 mil colombianos, 9 mil peruanos e 4,5 equatorianos. Na Alemanha, o contingente feminino entre os imigrantes brasileiros é quase três vezes maior do que o masculino.



Autora: Mirra Banchón/Carlos Albuquerque

Revisão: Soraia Vilela

05/04/2009

Lula é o cara

*Marcelo Carneiro da Cunha

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.

Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver.

Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam. Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa.

Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser. Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.

Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano. Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.

O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.


Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem “O Branco”, premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos “Simples” e o romance “O Nosso Juiz”, pela editora Record. Acaba de escrever o romance “Depois do Sexo”, que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances “Insônia” e “Antes que o Mundo Acabe”.


Guerra dos sexos. Vale a pena assistir.

02/04/2009

Brasileiro agredido na Inglaterra diz que situação é crítica




O brasileiro Marcio Toso, 30 anos, que diz ter sido agredido no domingo por uma gangue em Bristol, na Inglaterra, afirmou que a situação no bairro onde mora é critica "há muito tempo". Ele contou que conversava com um amigo, também brasileiro, quando os dois foram abordados na rua por quatro meninas, que perguntaram sobre a língua que estavam falando. Em seguida, um bando se aproximou e agrediu os brasileiros.

"A situação aqui está crítica há muito tempo. Há moradores que estão no bairro há 30, 40 anos, e já sofrem há muito tempo", disse ele. O brasileiro afirmou que nunca tinha sido vítima de agressão, mas disse que andava nas ruas calado e evitava falar ao celular para que não descobrissem que ele era estrangeiro.

Os criminosos levaram um notebook, chaves e os carros dos brasileiros, que estavam em uma região chamada de Crow Lane. O amigo de Toso, Shane Braga, 28 anos, quebrou o dente, levou um soco no olho e teve vários ferimentos no rosto. Toso quebrou o nariz e sofreu um corte na testa.

Toso disse que, somente depois da agressão, o policiamento foi reforçado na região. "Agora está cheio de policiais nas ruas, mas não era assim", afirmou.


Veja mais

Fonte: Vendedor de Banana