26/12/2007

Alemanha barra universitários do Brasil que estudam na Europa

Estudantes com visto de permanência em outros países são retidos no aeroporto e têm de voltar

Estadão - Marcio Damasceno


Coincidência ou não, enquanto o Espaço Schengen - que estabelece uma zona sem controle fronteiriço dentro da União Européia (UE) - é ampliado, brasileiros inscritos em universidades de países membros do tratado têm sido barrados nas fronteiras alemãs. Mesmo com visto de estudo e documentação em dia, eles passam por situações embaraçosas nas entradas do país. Nos aeroportos, são retidos e obrigados a comprar passagem para o próximo vôo de retorno à cidade onde estudam.

A Embaixada do Brasil em Berlim tem registrado esses casos há alguns meses. São universitários matriculados em universidades européias por um período de seis meses a um ano e, na maioria, têm no passaporte o chamado visto do tipo D, de Schengen, um visto nacional de longa permanência que, na interpretação das autoridades alemãs garante aos brasileiros a permanência no país emissor do visto, mas impede o trânsito deles na região.

"Tomamos conhecimento dos primeiros casos em agosto deste ano por meio da Embaixada do Brasil em Praga", lembra a chefe do setor consular da embaixada brasileira em Berlim, Fernanda Lamego. "Eram nove estudantes brasileiros que foram alertados na fronteira alemã ao entrarem na República Tcheca de que não poderiam voltar ao país com aquele visto", conta Fernanda. "Mesmo os brasileiros sendo isentos de visto para turismo na Alemanha, alguns estudantes decidiram pagar 60, cada um, para receber um visto de trânsito da Embaixada da Alemanha em Praga", diz. Alguns universitários preferem seguir viagem para outras capitais sem retornar à Alemanha, depois que passam a fronteira alemã, onde preenchem formulário afirmando ter cometido infração ao circular ilegalmente no Espaço Schengen.

Poucas semanas após as primeiras informações dos estudantes em Praga, a embaixada começou a receber ligações de universitários brasileiros retidos em aeroportos berlinenses e que foram obrigados a comprar passagem no próximo vôo de volta ao país onde residem. "Até agora tivemos notícias de casos envolvendo brasileiros morando na Espanha, Portugal e Itália", diz Fernanda. Ela tem agendada uma reunião no próximo mês com representantes dos ministérios do Exterior e do Interior da Alemanha, quando tentará solução para o caso.

O QUE FAZER

Segundo o porta-voz do Ministério do Exterior da Alemanha, Hubert Jäger, ao chegar ao país onde vão estudar com o visto do tipo D, os universitários brasileiros devem dar entrada em uma permissão de residência (por seis meses ou um ano, dependendo do caso) ou pedir um visto do tipo D e C, que dá direito a transitar no Espaço Schengen. "Já fomos informados do que está acontecendo e vamos ver se é possível chegar a uma solução satisfatória no encontro que será realizado em janeiro com representantes da embaixada brasileira", diz Jäger.

Enquanto isso, as representações brasileiras no exterior tentam orientar os estudantes para evitar casos parecidos. "Estamos solicitando um pronunciamento da Embaixada da Alemanha em Madri para sabermos como orientar os universitários que nos procuram", relata Pedro Frederico Garcia, cônsul adjunto do Consulado-Geral do Brasil em Madri.

CAMINHO DE VOLTA

A embaixada tem recebido informações de um caso a cada duas semanas, em média. Um deles foi do estudante de arquitetura Daniel Villas Boas, de 24 anos. Ele cursou, até agosto, a Universidade do Porto por um ano. Em maio, Daniel e mais quatro amigos, também em intercâmbio em Portugal e com o mesmo tipo de visto, foram detidos no aeroporto de Schönefeld, em Berlim, e obrigados a comprar um bilhete no próximo vôo para Lisboa. Em Portugal, ele procurou a representação alemã no Porto e recebeu como resposta de uma funcionária do consulado a explicação de que provavelmente ele fora vítima de alguma restrição ligada a medidas de segurança da reunião da Cúpula do G-8 (grupo dos sete países mais ricos e a Rússia), realizado na Alemanha semanas depois. Não foi informado do problema com o visto. Já alguns estudantes, sabendo o que está acontecendo, preferem evitar o país. "Sei do caso de seis pessoas que foram mandadas de volta para Portugal", diz Luiz Freire, vice-presidente da Associação de Cidadãos Brasileiros na Universidade do Porto.

20/12/2007

Mulheres tornam-se mães cada vez mais tarde

Estudo revela que quanto maior o grau de instrução, menor a chance de uma mulher ter filhos na Alemanha. Segundo estatística, taxa de fecundidade é de 1,3 filho por mulher. Peculiaridades entre Leste e Oeste do país.

Vinte por cento das mulheres entre 40 e 49 anos na Alemanha não têm filhos, conforme aponta um estudo representativo apresentado nesta terça-feira (18/12) pelo Departamento Federal de Estatísticas (Destatis). O levantamento de dados foi feito em todo o país no segundo semestre de 2006 e considerou as respostas de 12,5 mil mulheres entre 16 e 75 anos.

Com uma média de 26 anos no nascimento do primeiro filho, a atual geração de alemãs torna-se mãe três anos mais tarde do que era habitual nos anos 1960. Na antiga Alemanha Ocidental a cota de mulheres sem filhos é significativamente maior do que no Leste alemão, parte do país que esteve sob influência da União Soviética até a queda do Muro de Berlim.

Tomando-se como base a geração que nasceu entre 1957 e 1966, 23% das mulheres no Oeste do país não têm filhos, enquanto no Leste esta cota é de 10%.

Grau de instrução x maternidade

O estudo revela ainda uma peculiaridade do Oeste do país: quanto mais alto o grau de instrução, menor a chance de uma mulher ter filhos. Na parte do país correspondente à antiga Alemanha Ocidental, apenas 13% das mulheres com mais de 40 anos e sem qualificação profissional não têm filhos. Já entre as que têm nível superior, esta cota é de 26%. Este fenômeno, no entanto, praticamente não existe no Leste alemão, acentua o estudo.

Com 673 mil novos bebês, o ano de 2006 foi o que teve o menor número de nascimentos desde a Segunda Guerra Mundial. Também o número de mulheres em idade fértil está diminuindo no país. Se em 1997 havia 19,7 milhões de mulheres entre 15 e 49 anos, no ano passado houve 404 mil a menos. Segundo o Destatis, esta tendência deverá prosseguir nos próximos 15 anos.

Menos pais casados

A quantidade de filhos ilegítimos dobrou no país desde 1990. Os pais de cerca de 30% das crianças na Alemanha não são casados. Este fato é constatado especialmente no Leste do país, onde o número de filhos ilegítimos aumentou rapidamente a partir do final da década de 1960 e hoje perfaz 60% das crianças.

Em comparação com a média européia, no entanto, a quantidade de crianças que nascem sem que os pais sejam casados é pequena. No Reino Unido, por exemplo, a cota é de 43%; na França, de 48%; e na Islândia, 66%.

Mais mulheres sem filhos

Segundo Sabine Bechtold, responsável pelo estudo do Destatis, 86% das mulheres entre 50 e 75 anos de idade têm filhos. Entre as de 35 a 49 anos, 78% são mães.

Mesmo assim, cada vez menos mulheres dão à luz, principalmente na parte ocidental da Alemanha. Segundo Bechtold, "é surpreendente que nesta região mais de 40% das mulheres até 35 anos não tenham filhos". A taxa de fecundidade da Alemanha é de 1,33 filho por mulher.

DW(rw)

13/12/2007

Poema brasileiro - Ferreira Gullar

No Piauí de cada 100 crianças que nascem

78 morrem antes de completar 8 anos de idade



No Piauí

de cada 100 crianças que nascem

78 morrem antes de completar 8 anos de idade



No Piauí

de cada 100 crianças

que nascem

78 morrem

antes

de completar

8 anos de idade



antes de completar 8 anos de idade

antes de completar 8 anos de idade

antes de completar 8 anos de idade

antes de completar 8 anos de idade



Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, MA, 10 de setembro de 1930) é um poeta, crítico de arte, biógrafo, memorialista e ensaísta brasileiro.Fez parte de um movimento literário difundido através da revista que lançou o pós-modernismo no Maranhão, A Ilha, da qual foi um dos fundadores.Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.

12/12/2007

Escolas em Berlim protegidas por seguranças

Treze escolas do bairro berlinense de Neukölln estão sendo protegidas por um serviço particular de vigilância a partir desta segunda-feira (10/12). Os 20 seguranças foram postados diante das entradas dos estabelecimentos de ensino, tanto do nível fundamental como médio.

Sua tarefa é controlar a entrada de pessoas, para evitar brigas e desordens nas dependências escolares. Nos últimos dois anos, em 29 escolas da capital alemã aconteceram mais de 50 atos de violência, em sua maioria iniciados por pessoas estranhas à escola.

No primeiro dia da ação, tanto professores como alunos reagiram de forma positiva. Inicialmente, o controle deve prosseguir até meados do próximo ano.

07/12/2007

Curta-metragem brasileiro vence concurso do YouTube



O curta-metragem brasileiro «Laços», realizado por Flávia Lacerda, venceu o Project Direct, promovido pelo YouTube, que tinha como objetivo premiar os melhores vídeos online, finalizando com uma votação aberta entre 20 finalistas.

A produção vencedora será exibida no Sundance Festival, realizado nos EUA, no próximo mês de Janeiro.

Apesar de ter sido coordenado por uma realizadora da Rede Globo e escrito por outra profissional da emissora, Adriana Falcão, o curta-metragem brasileiro foi idealizado por dois adolescentes, Clarice Falcão, de 18 anos, e Célio Porto, de 17.

Os dois amigos protagonizaram o filme, com seis minutos e 43 segundos de duração, que conta a história do encontro na rua entre uma moça, que perdeu o pai recentemente, e um rapaz misterioso.

«Laços» foi filmado durante um dia, na região do Jardim Botânico, na zona sul do Rio de Janeiro, com uma câmara digital AG-DVX100.

05/12/2007

Colóquio Internacional Miguel Torga



Do dia 13 ao dia 15 de dezembro, na Universidade de Hamburg, haverá um seminário sobre o escritor português Miguel Torga (1907-1995).

Para maiores informações, visite o site do Flávio do Nascimento. Mais sobre o autor aqui.

02/12/2007

Este domingo, na Venezuela

por Mauro Santayana

O presidente Chávez saberá hoje se o seu projeto político tem ou não a aprovação da maioria do povo venezuelano. O plebiscito não é a melhor forma de se aferir a vontade nacional, mas é a única, quando os governos democráticos são sitiados por inimigos poderosos e só podem recorrer diretamente ao povo. Chávez não é estadista norueguês: é homem da América Latina que, há pelo menos 300 anos, tenta ser ouvida no mundo. Ela e a África sempre foram vistas como dependentes da ética, da inteligência, do mando europeu. Essa ética européia admite, para seu proveito, mandatos presidenciais ilimitados e limitados, conforme a ocasião. Vigora a regra antiga: "A salvação da república é a lei suprema". Herdeiros do centro-europeísmo, os Estados Unidos intervieram em toda a América Latina, e exemplo clamoroso foi o do Chile. Há excelente texto de García Márquez sobre o golpe: tudo se tramou em Washington antes da eleição de Allende, em 1970. Em jantar de que participavam três generais do Pentágono e quatro generais chilenos, entre eles, Toro Mazote - o homenageado naquela noite - um general americano lhe perguntou o que o Exército chileno faria se Allende fosse eleito em setembro. "Tomaremos el Palácio de La Moneda en media hora, aunque tengamos de incendiarlo", foi a resposta. Um dos generais presentes, Ernesto Baeza, comandou, três anos depois, o ataque a La Moneda e, depois do assassinato do presidente, mandou incendiá-lo. Todos os outros foram decisivos no golpe contra a democracia chilena.

Allende, se houvesse querido, poderia ter alterado a Constituição, obtido sua aprovação por referendo popular e enfrentado os inimigos da República, logo depois das eleições parlamentares de março de 1973, quando ainda dispunha de força. Poderia ter salvado a vida de milhares de chilenos. Não o fez. No entanto, o general De Gaulle, a partir de 1958, mudou a Constituição, submeteu-a ao referendo do povo francês e, referendo sobre referendo, governou durante 11 anos ininterruptos, até que perdeu a última consulta e se recolheu a Colombey-les-Deux Églises, em 1969, onde morreria um ano depois. O francês De Gaulle pode; o venezuelano Chávez, não.

Quinta-feira, em La Paz, os embaixadores da União Européia, sob a liderança do alemão Erich Ridler, exigiram de Evo Morales que "respeite os princípios democráticos". Depende do que se entenda como democracia. A oposição não respeitou as regras democráticas ao ausentar-se da Assembléia Constituinte - em que era minoria - e ameaçar a República com a divisão territorial. Herr Ridler se esquece de que a Alemanha é ainda hoje um país ocupado por tropas norte-americanas, e sua democracia, compulsória, foi imposta, com os russos à frente, pelos aliados que a derrotaram. A União Européia poderia, talvez, pressionar a Espanha a fim de que ela resolva suas questões autonômicas, como as do País Basco e da Catalunha, antes de intrometer-se em Santa Cruz, Pando e Chuquisaca, que não pertencem à Comunidade Européia, nem são colônias de ninguém. Faria bem à Europa encontrar solução digna e humana para os trabalhadores imigrantes, tratados como párias.

No Equador, o presidente Rafael Correa também busca a aprovação popular pelas reformas constitucionais, e resume: a democracia é muito boa quando atende aos interesses da oligarquia; quando defende os interesses dos pobres, não é mais democracia. Não deixam de lhe dar razão os governadores das regiões rebeldes da Bolívia, quando exigem de Morales que retire da Carta aprovada a Renda Dignidade destinada aos idosos. Afinal, para que eles servem, se não podem mais produzir lucros?