20/04/2008

Dos direitos individuais

Por Nicole

Outro dia, mandei para seu e-mail uma reflexão (não sei se você recebeu) sobre a queda do apoio à pena de morte, após tomar conhecimento de uma pesquisa do Datafolha (Folha de São Paulo, domingo, 06 de abril de 2008) realizada a partir de um levantamento ocorrido entre os dias 25 e 27 de março, que revelou o cunho emotivo e circunstancial do apoio à pena de morte.

Veremos como os linchadores desconhecem sua própria verdade humana.

No seu combate contra a pena capital, o advogado criminalista e ministro da Justiça de Mitterrand, Robert Badinter, (que conseguiu abolir a pena de morte na França, em 1981) citava no seu discurso abolicionista na Assembléia Nacional, como forte contrargumento ao valor dissuasivo da pena de morte, o exemplo de Patrick Henry, que fazia parte da multidão enraivecida em frente ao Fórum de Troyes, pedindo a cabeça de Claude Buffet e Roger Bontemps, durante o processo deles em 1972. (o crime: na prisão de Clairvaux, onde cumpriam pena, degolaram durante um motim, em setembro de 1971, uma enfermeira e um guarda da prisão). Ambos foram condenados a morte e guilhotinados.

Poucos anos depois, em janeiro de 1976, um menino de oito anos de idade, Philippe Bertrand, foi seqüestrado.

E o mesmo Patrick Henry, que se encontrava em meio aos linchadores de 1972 (filmado pela TV francesa), foi o primeiro suspeito da polícia, mas foi liberado por falta de provas.

Após sua libertação, chegou a dar uma entrevista na TV, afirmando que quem seqüestrou o menino merecia morrer. Alguns dias depois, foi preso novamente, e a polícia encontrou o corpo do pequeno Philippe escondido num lençol de baixo de sua cama. Patrick Henry foi condenado à prisão perpétua.

Observação: Badinter atuou na defesa dos três criminosos.

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