30/10/2009

Luta contra a pobreza e exclusão social na linha da frente da Europa

A União Europeia dedicará o ano de 2010 à luta contra a pobreza e exclusão social, tentando responder ao facto de 17% da sua população não ter os meios necessários para satisfazer as necessidades mais básicas. O lançamento do Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social ocorrerá a 21 de Janeiro, em Madrid.

“A pobreza é normalmente associada aos países em vias de desenvolvimento nos quais a subnutrição, a fome e a falta de água limpa e potável são desafios quotidianos. Contudo, a Europa também é afectada pela pobreza e pela exclusão social, onde apesar de estes problemas poderem não ser tão gritantes, são ainda assim inaceitáveis”, lê-se no site que apresenta as iniciativas do próximo Ano Europeu.

Em Portugal, o programa será baseado em quatro prioridades: contribuir para a redução da pobreza e prevenir os riscos de exclusão através de acções concretas; aumentar a compreensão e a visibilidade do fenómeno da pobreza e da sua natureza pluridisciplinar; mobilizar a sociedade para o esforço de erradicar a pobreza e as situações de exclusão; assumir que a pobreza é um problema de todos os países.

A estratégia de comunicação prevê a realização de sessões públicas, a criação de um site e de uma campanha nos media, bem como o desenvolvimento de pólos de dinamização local, entre outras iniciativas.

De acordo com o projecto enviado por Portugal para as instâncias comunitárias, o lema nacional do Ano Europeu será “A pobreza é um problema de todos”. Segundo o mesmo documento, o agendamento das actividades só será possível quando o Programa Nacional estiver preparado, o que se prevê venha a acontecer em Dezembro. O orçamento da participação portuguesa ultrapassa os dois milhões de euros.

A Comissão Europeia elaborou um documento de 26 páginas onde foram elencados os objectivos e prioridades do próximo ano, os temas que serão abordados, bem como a coordenação e financiamento das actividades.

O texto sublinha que a crise económica e financeira internacional de 2008 terá efeitos a longo prazo no trabalho, reconhecendo que as pessoas mais vulneráveis sofrerão as maiores consequências.

A União Europeia define alguns compromissos para 2010 na luta contra a pobreza, sobretudo ao nível da infância, nas famílias e nos orfanatos. Por outro lado, compromete-se a promover o mercado de trabalho, a investir na educação, saúde e promoção social, e a dar maior atenção aos portadores de deficiências.

Segundo o documento, é preciso favorecer o acesso à cultura, eliminar a discriminação, investir na inclusão social dos imigrantes e das minorias étnicas, responder às exigências dos sem-tecto e das pessoas que vivem em situações vulneráveis.

O lançamento do Ano Europeu de Luta contra a Pobreza e a Exclusão Social ocorrerá a 21 de Janeiro, em Madrid.

Fonte: Agência Ecclesia/NL

29/10/2009

Há quase 15 dias morando em aeroporto, alemão diz que aguarda 'amada' o buscar


por Luciana Bonadio

O alemão Heinz Müller, de 46 anos, está morando há quase 15 dias no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, a 93 km de São Paulo, à espera de uma mulher que diz ter conhecido pela internet. “Ser famoso não me interessa, quero estar em uma família, ser feliz”, afirma o homem, misturando palavras em português, espanhol e alemão.

Müller chegou ao Brasil em 4 de outubro para, segundo ele, encontrar uma moradora de Indaiatuba, a 98 km da capital paulista. Eles conversavam pela internet desde 18 de março deste ano. “Eu dizia eu te amo mais a cada dia e ela, te amo mais a cada instante”, conta. Por causa deste amor, decidiu voltar ao Brasil – ele conta já ter vivido em Curitiba, no Paraná, entre agosto de 2006 e abril de 2007.

No dia seguinte à chegada ao país, o alemão diz ter encontrado a sua "doce amada", de nome Josiane, em um hotel de Indaiatuba. Ele afirma que eles alugaram uma casa e passado alguns dias juntos. O homem não sabe descrever, porém, como chegou ao aeroporto. Ele afirma apenas que precisou ir até Viracopos para passar na Polícia Federal e, desde o dia 16 de outubro, espera que a mulher o busque no local. A documentação do homem está em dia e, como não há incidentes envolvendo Müller dentro do aeroporto, ele não pode ser retirado do local – a área que ele ocupa é pública.

De acordo com Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), apesar de ter um papel com um número de telefone que seria de sua amada, o alemão não consegue localizá-la. Ainda, segundo o órgão, Müller pode ficar em Viracopos o tempo que quiser, desde que não incomode os demais passageiros.

Há 13 dias, ele ocupa uma cadeira do terminal de passageiros do aeroporto. Não se separa do carrinho com seus pertences: um laptop, a pasta com documentos, uma mala de roupas, uma impressora e um saco de roupas sujas. Na tarde desta quarta-feira (28), ele diz que estava com apenas R$ 10 no bolso. O alemão dorme sentado no banco e troca de roupas no banheiro do terminal. Ele afirma que come quando alguém o oferece alimentos. “Umas vezes me dão, outras não.”

No laptop, há fotos que, segundo ele, são de Josiane, dos dois filhos dela e dos três filhos dele (uma menina e dois meninos). Segundo ele, seus filhos moram no México, onde Müller viveu por três anos. O homem conta que não vê as crianças há sete anos. O alemão mostra no computador um desenho que diz ter sido feito pela filha de Josiane, onde está escrito: “de Karol para o papai”. Enquanto vê as fotos da mulher, ele repete a todo instante: “Eu te amo”.

Ex-piloto

O alemão conta ter nascido em uma cidade perto de Munique. Diz que foi soldado durante 11 anos e, depois, piloto de avião. Müller afirma ter pilotado no período que morou no México e na Alemanha. O alemão mostra, inclusive, fotos dele com roupas de comandante e de soldado - ele conta que se aposentou em 2004. Depois disso, descobriu que tem Mal de Parkinson.

Durante o período em que morou em Curitiba, ele afirma ter casado com uma brasileira. Em abril de 2007, voltou para a Alemanha e a mulher seguiu para lá um ano depois. O relacionamento acabou, ainda segundo o relato de Müller, no fim do ano passado. Meses depois conheceu Josiane pela internet e decidiu que queria voltar ao Brasil. “É um país bonito, é diferente. Eu gosto de coisas diferentes”, afirma.

O grande objetivo de Müller agora é conseguir acesso à internet para conversar com Josiane – ele mantém a foto dela na tela do computador. “Eu a amo muito. Quero passar meus dias felizes com ela, quero trabalhar”, conta. Ele diz a todo momento que a mulher trabalha muito. O alemão conta ainda que deve receber um dinheiro em seu país nos próximos dias, mas não sabe como transferi-lo para o Brasil, porque não tem conta no país. Ele não cogita a possibilidade de voltar para a Alemanha. “Quero ter passaporte brasileiro.”

A Infraero diz que já conseguiu vaga em um abrigo para o alemão, mas ele não aceita deixar o aeroporto.

leia mais sobre o caso alemão aqui

28/10/2009

Alemão vive há 12 dias no Aeroporto de Viracopos



Um alemão de 46 anos vive há 12 dias no saguão do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, a 93 km de São Paulo, segundo informou a Infraero, estatal que administra os aeroportos do país. O homem, que está com seus documentos em ordem e tem até visto de permanência no país, apareceu no aeroporto no dia 17 de outubro. Desde então, conta com a ajuda de funcionários de lojas do aeroporto para comer e desperta curiosidade no local.

De acordo com a assessoria de imprensa da Infraero, como o homem não oferece nenhum risco para os passageiros e o aeroporto é público, ele pode ficar no local. A empresa informou que já ofereceu ajuda para o turista, que disse não querer retornar para a Alemanha e quer viver no Brasil.

O órgão tentou entrar em contato com os lugares por onde o alemão passou antes de chegar ao aeroporto para tentar localizar algum parente ou amigo que possa ajudá-lo. Entretanto, a Infraero informou que as histórias contadas pelo estrangeiro são em alguns momentos confusas, e que nenhum conhecido dele foi encontrado.


G1

Filme reaviva debate sobre racismo na Alemanha

Há 40 anos o jornalista e escritor Günter Wallraff usa disfarces para escrever seus livros e produzir seus filmes. Em seu mais novo trabalho, ele mostra a discriminação sofrida por um refugiado africano na Alemanha.

O jornalista alemão Günter Wallraff quer abrir um debate sobre o racismo na Alemanha através de seu filme Schwarz auf Weiss (Preto no branco). "Pode-se avaliar cada sociedade pela forma como ela reage aos estrangeiros", define ele.

No documentário, que estreou no final de outubro nos cinemas alemães, Wallraff percorreu toda a Alemanha disfarçado como Kwagi Ogonno, um refugiado somali naturalizado alemão. Equipado com uma minicâmera e um microfone, ele chama a atenção para o racismo no dia-a-dia.

Uma equipe de filmagem acompanhou o autor à distância. Em Colônia, ele fracassou na tentativa de alugar um apartamento. Em Cottbus, foi insultado por torcedores de futebol. Quando tentou instalar-se permanentemente em um camping, seu pedido foi rejeitado.

De um grupo de excursionistas e em bares ele teve que ouvir frases como "África para macacos, Europa para os brancos", ou "Você é um crioulo". A aversão contra os negros, que ele enfrentou tanto no oeste quanto no leste do país, o deixou "muito impressionado", disse Wallraff à imprensa. Ele pretende exibir o documentário para os torcedores do Dynamo Dresden, considerados radicais de direita, e discutir com eles, disse Wallraff durante um debate num cinema em Berlim.

Reações divergentes

Nas últimas décadas, o escritor tem seguidas vezes se infiltrado, sob falsa identidade, em empresas ou camadas desprivilegiadas da sociedade. Entre os papéis que desempenhou estão um trabalhador temporário turco, um repórter do jornal sensacionalista Bild, mendigo, negociador de armas e trabalhador de call-center, submetido a jornadas de trabalho exaustivas. Em suas reportagens sob disfarce, ele relata as péssimas condições em que essas pessoas precisam viver e trabalhar na Alemanha. Günter Wallraff é considerado uma lenda.

As reações sobre seu novo projeto são divergentes. Um dos principais pontos das crítica é que Wallraff vai disfarçado a lugares ou regiões onde as reações de racismo ou discriminação são esperadas. "Seja em torcidas organizadas em Cottbus, em grupos de trilhas em Gummersbach ou simplesmente em qualquer rua, Wallraff busca o tempo todo as pessoas que não o querem, e documenta a aversão destas em imagens de solidão infinita", descreve o jornal taz.

O periódico conservador Die Welt vai além e o acusa de oportunismo: "Wallraf se veste e se maquia como um espantalho para se passar por um somali, o que já tem algo de mau gosto e pérfido. Ele faz uma imitação barata dessas pessoas, que ele só consegue ver como vítimas do racismo, e as usa para criar cenas bizarras."

"Jornalismo investigativo à antiga"

A revista Stern fala de "um Borat piorzinho", e critica o fato de, no atual filme, Wallraf não ter dado voz aos verdadeiros atingidos. "Ele deveria ter pedido para africanos e alemães afrodescendentes que vivem na Alemanha para fazer a viagem pelo país, ele deveria tê-los entrevistado, e depois mostrado as suas experiências, em vez de se apropriar dessa experiência como somali fantasiado."

Mesmo assim, sem dúvida com seu mais novo projeto, o autor chamou atenção a atenção para o racismo no cotidiano e reavivou o debate na Alemanha. "Sem Günter Wallraff, o tema nunca voltaria aos canais de debate. Enquanto houver pessoas que duvidem que a discriminação racial ainda faz parte do dia-a-dia no país, alguém como Günter Wallraff ajuda a esclarecer" publicou a Stern.

Na opinião do Frankfurter Allgemeiner Zeitung, o trabalho de Wallraff "continua surpreendentemente atual" e elogia o retorno do jornalismo investigativo à moda antiga.

Fonte: DW

16/10/2009

Brasileira que forjou ataque nazista é acusada formalmente na Suíça

por Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil

A promotoria suíça acusou formalmente na Justiça a brasileira Paula Oliveira, que em fevereiro mentiu a autoridades da Suíça alegando ter sido atacada por neonazistas em Zurique. Apesar de o julgamento ainda não estar marcado, o Ministério Público de lá já comunicou que não pediu a condenação da brasileira, exigiu apenas que ela pague fiança e as custas do processo, segundo informações da BBC Brasil.

Paula forjou o ataque provocando arranhões com uma faca no próprio corpo. Ele desenhou a marca do partido de extrema-direita suíço SVP e disse à polícia que havia abortado gêmeos após levar chutes e outras agressões de skinheads na saída de uma estação de metrô de Zurique.

A gravidez, no entanto, foi refutada pela polícia suíça e Paula acabou confessando que toda a história era falsa. Na época, o caso resultou em um constrangimento diplomático para o Brasil, que havia exigido do governo suíço investigações rigorosas sobre o ataque à brasileira.

aqui e aqui

TV Brasil terá canal internacional voltado para emigrantes brasileiros

Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil


A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Tereza Cruvinel, anunciou hoje (15), durante evento no Itamaraty, no Rio, a criação de um canal internacional da TV Brasil, voltado para os emigrantes brasileiros que, atualmente, somam cerca de 3 milhões de pessoas, segundo o governo. A África deve ser o primeiro continente a receber as transmissões, em 2010.

“Será um canal com programação ajustada aos horários deles [do país onde a programação será exibida] e com conteúdos mais direcionados para o público no exterior”, afirmou Tereza, durante a 2ª Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior.

De acordo com a presidente, a ideia é que a TV Brasil Internacional funcione em TVs a cabo ou por assinatura, com início previsto para o próximo ano. Na grade, programas exibidos no Brasil, com adaptação de horário, além de outros conteúdos preparados para os emigrantes, inclusive com a colaboração deles.

“Esse público é tão brasileiro como nós que estamos aqui. Assim, da mesma maneira que os brasileiros têm canais de comunicação com a EBC, queremos criar algo como um e-mail para que possam mandar pautas, vídeos e sugestões”, explicou.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acredita que, por meio de uma televisão pública brasileira no exterior, o governo possa ampliar o diálogo com os emigrantes, favorecendo a divulgação de serviços consulares, campanhas como o incentivo à participação nas eleições e a educação, com cursos a distância, por exemplo.

Morador de Orlando, no Estados Unidos, o jornalista brasileiro Paulo Corrêa comemora a iniciativa e defende a exibição da culinária brasileira na TV, variedades regionais do país e da cultura “como um todo”. “Não dá para ficar refém das televisões comerciais brasileiras aqui”, afirmou.

“Queremos que nossas crianças conheçam mais diversidade do Brasil, do povo brasileiro e não apenas a imagem exibida nas novelas”, criticou.

A presidente da EBC afirmou que, por uma questão logística relacionada à disponibilidade de satélite, a África deve ser o primeiro continente a receber o canal internacional da TV Brasil. Mas, segundo ela, alcançar a América também está nos planos. Para isso, ela cobrou apoio do Congresso Nacional e do Ministério das Relações Exteriores.


Nova lei unifica RG, CPF, passaporte e carteira de motorista

A carteira de identidade, o passaporte, o CPF e a carteira de motorista são alguns dos documentos que passarão a ter o mesmo número de registro. A lei 12.058, que autoriza o registro civil único, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a unificação, o cidadão terá o número único de registro de identidade civil, válido para os brasileiros natos e naturalizados. De acordo com a lei, a implementação do registro único deve começar dentro de um ano. O Poder Executivo terá 180 dias para regulamentação.

A União poderá firmar convênios com os Estados e o Distrito Federal para implantar o número único e trocar os documentos antigos de identificação.

Segundo o senador Almeida Lima (PMDB-SE), relator do projeto na CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), o uso do mesmo número da identidade em todos os documentos dificultará a ocorrência de fraudes e pode aperfeiçoar o sistema de identificação civil. Um dos objetivos da medida é diminuir a burocracia.

A lei foi resultado da conversão da Medida Provisória 462, que trata do repasse de recursos ao FPM (Fundo de Participação dos Municípios).


15/10/2009

Brasileiros e portugueses, nada a ver

Clóvis Rossi


O comentário sobre a irritação dos portugueses com um vídeo gravado pela atriz Maitê Proença para o "Saia Justa", do canal a cabo GNT, provocou um tsunami de correspondência, recorde absoluto neste mês e meio em que a "Janela" está aberta. Sou, portanto, obrigado a voltar a ele.

Primeiro, um esclarecimento: o que mais doeu nos portugueses foi o fato de Maitê ter cuspido em uma fonte do Mosteiro dos Jerónimos, patrimônio da humanidade.

Escreve, por exemplo, José Elias, português e fotógrafo de patrimônio histórico e cultural: "Este sim [cuspir na fonte] é talvez o acto mais ofensivo para os portugueses. A degradação e o desrespeito para com os nossos símbolos nacionais. Poderá ser apenas um edifício, é verdade, mas desculpem lá termos alguma estima por ele".

Está perfeitamente desculpado, José Elias.

E também peço desculpas por ter omitido esse aspecto na "Janela" de ontem. É uma questão de diferença de sensibilidade: os brasileiros estamos tão arqui-acostumados a ver monumentos cuspidos, escarrados, urinados etc, que não nos chocamos mais com isso.

No meu caso, sou dos que não sacralizam monumentos, mas deveria ter percebido que outras pessoas, de qualquer nacionalidade, inclusive brasileiros, podem ter outra sensibilidade - provavelmente mais adequada que a minha. Ou, como escreve outro leitor português, Eduardo Miguel Sequeira, "piadas, nós entendemos, cuspir em monumentos é outra conversa".

Nem todo português ou descendente aceita tão tranquilamente as piadas que os brasileiros fazemos abusivamente em relação aos portugueses, do que dá testemunho a jornalista Cristina Silva Rosa, da Agência Lusa de notícias: "Sou filha de portugueses, cresci ouvindo que os portugueses são burros e ficava sempre muito triste e chateada com isso. Quando ouvi os comentários da sra. Maitê, lembrei-me dos tempos de colégio Sion, em São Paulo, em que tinha de aturar as piadas maldosas dos meus colegas de turma sobre os patrícios", reclama. "Acho que devemos respeitar para sermos respeitados".

Reforça Carlos Costa Rodrigues, que começa afirmando com toda a razão que "não temos [os portugueses] medo do ridículo. Temos medo sim, da falta de criatividade", que é um dos grandes pecados do vídeo.

Acrescenta: "Concordo também consigo que o português é extremamente sensível aos comentários que fazem (sejam de brasileiros ou não), mas quem conhece a história de Portugal perceberá que nos últimos séculos fomos 'achincalhados' muitas vezes por outros povos (Invasões Espanholas e Francesas, Ultimato Inglês, Guerra Colonial em África) e aquilo que sempre ficou, foi o nosso orgulho (...). No fundo, adoramos ser portugueses. E quando nos juntamos em prol de uma causa, viramos uma família enorme, em que a orientação sexual, a religião, a militância partidária e outros tantos factores de distinção deixam de fazer sentido. Quando defendemos um dos 'nossos' ou a 'nossa' memória colectiva' viramos animais irracionais"..

Pena que parte da correspondência tenha sido xingamento puro, em vez de argumentos. É desgraçadamente uma característica usual na internet. Mas o que sobrou de comentários inteligentes daria para escrever um verdadeiro tratado sobre a relação brasileiros/portugueses, ao rés-do-chão, não institucionalmente entre os dois países, que goza de excelente saúde.

Como tratado não cabe aqui, algumas pinceladas apenas sobre o poço de mágoa que há de parte a parte.

João Passos, descendente de brasileiros, casado há 20 anos com brasileira, acha que "o Brasil sofre da síndrome da vergonha das origens. O processo de independência fomentou-o e tornou-se vox populi que se o Brasil é como é se deve à colonização portuguesa; antes tivesse sido colonizado pela Holanda ou Inglaterra, mais inteligentes com certeza".

Há ataques mais agudos, como o de Bruno Filipe para quem "a única coisa a que os portugueses são sensíveis em relação aos brasileiros é á extrema falsidade que se percebe nos seus rostos. Os brasileiros são em geral um povo falso. (...) O Brasil para a maior parte de nós portugueses e diria mesmo para a maior parte do mundo ocidental não passa de um país de miséria, criminalidade e de 3º mundo, que tenta, tenta, tenta mas nunca consegue chegar a lado nenhum, nem nunca conseguirá pela sua falta de auto-estima e princípios básicos civilizacionais".

Pensa que é opinião isolada de algum português preconceituoso? Então, leia o seguinte trecho da coluna de Clara Ferreira Alves, no respeitado semanário "Expresso", publicada dia 9 passado, a propósito da atribuição ao Brasil dos Jogos Olímpicos de 2016:

"Expeditos cariocas hão-de arranjar modo de saltar o muro e vender mais droga, assaltar mais turista, trocar mais tiro e limpar o sebo a mais bope [se alguém souber o que essa expressão significa, favor me contar]. Vender-se-á mais samba e bossa nova, mais cocada na praia, mais pastelinho em Copacabana, mais mulata em hotel, mais criança para tarado".

Bom, ainda há a imagem da brasileira em geral como prostituta. Escreve, por exemplo, Carlos Matias: "Existe, sim, esse preconceito em relação às brasileiras. Acontece que aqui a prostituição está repleta de brasileiras. A prostituição tem sotaque brasileiro. É um facto. Temos culpa disso?

Contra-ataca Cintia Rubly: "Como brasileira que reside em Lisboa há três anos, será que também devo começar a exigir um pedido de desculpas de cada português que me trata como prostituta pelo simples fato de ser brasileira? E não falo só por mim, falo por todas as brasileiras que são diariamente discriminadas e nada acontece. O que a Maitê fala no vídeo não é nada perto das coisas que nós, brasileiras e brasileiros, ouvimos na terrinha'.

Pelo jeito, o tal de acordo ortográfico é absolutamente insuficiente para que brasileiros e portugueses falem a mesma língua.

Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. Assina coluna às quintas e domingos na página 2 da Folha e, aos sábados, no caderno Mundo. É autor, entre outras obras, de "Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo e "O Que é Jornalismo".

13/10/2009

Obras do PAC - Morro do Alemao



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Alemanha é o 3º maior importador mundial de vinho brasileiro

Visto com curiosidade, o vinho brasileiro vai ganhando espaço no mercado europeu com a campanha "Abra e se abra. Abra sua cabeça, abra um vinho do Brasil" e já tem na Alemanha seu terceiro maior comprador mundial.

Com um saca-rolhas verde e amarelo e uma campanha que convida os consumidores a provar novos sabores sem preconceito, os vinhos brasileiros vão conquistando prateleiras no mercado europeu. A Alemanha, que era o 7º maior comprador do país em 2007, chegou à terceira posição este ano, atrás de Rússia e Estados Unidos.

"Na primeira vez que viemos aqui, as pessoas ficaram surpresas por descobrirem que o Brasil produzia vinho. Este ano, a surpresa é por perceberem que temos um padrão de qualidade constante", diz o diretor-executivo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Raimundo Paviani. Dos oito vinhos levados para o concurso da Anuga, sete foram premiados. Foram duas medalhas de prata e cinco de bronze.

Altos investimentos em tecnologia e melhoramentos ao longo dos últimos 15 anos deram aos vinhos brasileiros cerca de 1.800 prêmios internacionais. Em 2008, foram produzidos 350 milhões de litros, dos quais 3,74 milhões de litros foram exportados.

"Abra e se abra. Abra sua cabeça, abra um vinho do Brasil" é o conceito da campanha institucional para o mercado nacional e internacional do Projeto Setorial Wines From Brazil, realizado em parceria entre o Ibravin e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

A ideia é “abrir a cabeça das pessoas para experimentar os vinhos brasileiros, e a experiência comprova que a aceitação é consequência direta da degustação sem preconceito dos produtos”, diz Paviani.

Crescimento acelerado

O volume exportado para a Alemanha no ano passado foi 120% superior a 2007, chegando a 271,1 mil litros. As exportações brasileiras saltaram dos US$ 248,2 mil em 2007 para US$ 450,9 mil em 2008. Este ano, só no primeiro semestre o volume exportado superou os 150 mil litros e atingiu um faturamento de US$ 186,3 mil. A expectativa, segundo Paviani, é fechar 2009 com 300 mil litros vendidos para a Alemanha.

As vinícolas Aurora, Boscato, Casa Valduga, Irmãos Basso, Miolo e Salton fazem parte do estande coletivo do Projeto Setorial Wines From Brazil na Anuga 2009. Juntas, elas conquistam mercados a passos largos. Em 2002, exportaram US$ 200 mil em todo o mundo. Em 2008, a cifra passou dos US$ 5 milhões.

Paviani explica que a imagem do Brasil no setor é de um país que produz uma grande variedade de vinhos e com preços competitivos. Segundo ele, o vinho brasileiro se diferencia do chileno e do argentino em vários aspectos e é mais caracterizado por ser um vinho mais fresco, frutado, jovem e de menor teor alcoólico.

O Brasil pega carona em uma tendência positiva para o mercado. De acordo com dados da Organização Internacional de Vinhos (OIV), 32% dos vinhos vendidos no mundo são importados. Há dez anos, essa taxa era de apenas 17%. "Como a tendência é de um mercado cada vez mais globalizado, temos que produzir vinhos de padrão internacional para competir até no quintal de casa", destaca Paviani.

Autora: Francis França - Revisão: Rodrigo Rimon

09/10/2009

Socoooooooooro

O Obama ganhou o Nobel da Paz.

O que esse homem fez para merecer a premiação, além de promessas, quando tantos outros têm trabalhado anos e anos?

Não dava para a Comissão esperar mais um par de anos?

Ele não merecia.

05/10/2009

Lula na Bélgica

Lula está em Bruxelas a convite do rei Alberto II, com quem mantém na segunda-feira um encontro privado seguido de almoço no Palácio de Laeken.

Neste domingo, o presidente se reuniu com o primeiro-ministro belga, Herman Van Rompuy, no Castelo de Val Duchesse, onde ambos acompanharam o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, e seu homólogo belga, Yves Leterme, durante a assinatura de acordos bilaterais para intensificar a cooperação em política, cultura e logística portuária.

Um dos acordos assinados determina que as contribuições previdenciárias feitas por brasileiros que residam na Bélgica sejam reconhecidas pelo governo do Brasil caso estas pessoas regressem ao país. A medida também é válida para belgas que trabalhem no Brasil.

Na segunda-feira, Lula também participa do encerramento de dois seminários que contam com a participação de empresários brasileiros.

O presidente afirmou que pretende conquistar investidores belgas com as “extraordinárias possibilidades” que o Brasil oferece com os preparativos para a Copa de 2014, as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a exploração do petróleo no pré-sal e, agora, a Olimpíada de 2016.

Fonte: BBC

04/10/2009

Cantora Mercedes Sosa morre, aos 74 anos, em Buenos Aires

A cantora argentina Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos, no hospital em Buenos Aires onde estava internada há cerca de um mês.

Sosa foi internada por conta de um problema hepático que piorou com complicações pulmonares. Nos últimos dias, ela respirava com a ajuda de aparelhos.

01/10/2009

Assista ao trailer oficial de ‘Lula – o filho do Brasil’

Filme sobre a vida do presidente estreia em janeiro de 2010. Glória Pires está no elenco do longa, dirigido por Fábio Barreto.