28/10/2007

Coisas que não entendo



Os dois irmãos da foto deverão ser separados pelo juizado de menor alemão.

Seus pais, alcoólatras, perderam a guarda. Por não encontrarem uma família interessada em adotar os dois, o governo aceitou sapará-los e entregá-los a duas famílias.

Incompreensível.

O fundador do império H. Stern morreu

O empresário Hans Stern, 85 anos, nasceu em Essen, na Alemanha, em 1922. Aos 17 anos foi para o Brasil, fugindo do nazismo. Ele nasceu cego, mas aos dois anos de idade conseguiu recuperar a visão de um dos olhos.

Jovem, trabalhou como datilógrafo numa firma que lapidava e importava pedras e minerais. Em seguida, tornou-se corretor, comprando de garimpeiros pedras para vender no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Assim começou seu imprério espalhado por todo o mundo.

Mais sobre H. Stern em alemão aqui e em português aqui.

26/10/2007

Biblioteca Anna-Amalia em Weimar reabre depois de três anos

Classificada pela Unesco como patrimônio mundial, a biblioteca Anna-Amalia em Weimar, Alemanha, devastada por um incêndio em 2004, reabriu as portas, depois de três anos de trabalhos de recuperação.

O Presidente alemão Horst Köhler saudou o “dia de alegria para a Alemanha, enquanto nação cultural”, considerando que “o coração cultural da Alemanha bate em Weimar”, cidade de Goethe.

A 2 de Setembro de 2004, um incêndio causado por um curto-circuito reduziu a cinzas o terceiro piso daquele edifício histórico, construído em 1562.

Cerca de 50 mil livros raros dos séculos XV ao XX e 35 telas foram destruídos pelas chamas ou danificados pela água utilizada pelas centenas de bombeiros mobilizados para combater o fogo que durou três dias. A maior perda foi a de uma obra do astrônomo Nicolau Copérnico, avaliada em um milhão de euros. Apenas 28 mil volumes ficaram intactos.

Até o momento apenas 16 mil obras foram restauradas.

24/10/2007

"Marlene Dietrich, no Brasil, cantando 'Luar do Sertão' "

"Em sua apresentação no Brasil em 1959, Maria Magdalene Von Bosch - a grande Marlene Dietrich - usou um vestido tão apertado, mas tão apertado que não se apertou quando ficou “apertada”, minutos antes de entrar no palco do Copacabana Palace. Como não dava tempo para ir ao banheiro, pediu um balde com areia e resolveu o problema ali mesmo no camarim."





"Nesse antológico show no Golden Room, dizem que La Dietrich estava deslumbrante. Quem assistiu a apresentação, conta que a grande atriz cantou, para delírio da platéia, o “Luar do Sertão”, todinho em português."

"Ouça a Lola-Lola do Anjo Azul cantar a música de Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco. Com a voz rouca e sotaque alemão, sim senhor."

(Texto 'roubado' do blog Gravatá e ajuda para instalação do Mello.)

22/10/2007

O que temos em comum com a Turquia?

Na última sexta, logo que terminei de ler o livro A Mosca Azul, do Frei Betto, engatei a autobiografia de Ayse, “Ninguém me perguntou” (Mich hat keiner gefragt). Da realidade político-partidária brasileira pulei para os problemas da família, mulher e violência doméstica, na Turquia, e sua exportação para a Alemanha.

Os livros contando histórias de mulheres muçulmanas são algo novo na literatura alemã. É um filão que tende a crescer. A venda tem sido grande. Afinal, não é todo dia que as muçulmanas estão dispostas a tirar o véu, ou Kopftuch (pano de cabeça), para o mundo Ocidental.Véus que lhes cobrem não só as cabeças, mas também seus segredos. Dentre as que ousam mostrar a verdade oculta atrás das longas mantas que lhes escondem os corpos, também, muitas são assassinadas por seus maridos, pais e irmãos.

Ayse conta que nasceu na Anatólia, região extremamente pobre da Turquia. Localizada nas montanhas próximas do Iraque, é a área atual do conflito entre turcos e curdos. Dali foram exportadas as primeiras levas de turcos para a Alemanha pós-guerra. Mão de obra barata, sem qualificação. Trabalhadores necessários para a reconstrução do país destruído pela guerra.

Aos quatorze anos foi obrigada a casar com seu primo em primeiro grau e a se mudar para a Alemanha.

Se nos primeiros anos de vida assistiu sua mãe ser violentada fisicamente por seu pai, Pashá da família, como ela mesma o denomina no livro, ao ser casada, aceitou, durante 20 longos anos, a reprodução do modelo familiar que aprendera na infância. Ao mesmo tempo em que sofrera vendo a mãe apanhar, achava ser natural sua realidade. Sabia que se tentasse sair da estrutura familiar, seria castigada. Seria rejeitada tanto pelo clã do marido como por sua própria família.

Ayse veio a se libertar por acaso. Depois de espancada a enésima vez, a ponto de ser hospitalizada, conheceu uma assistente social envolvida em projetos de proteção à mulher. Com seu apoio, Ayse decidiu quebrar a cadeia de sofrimento e humilhação.

Ontem, ao terminar de ler a história de Ayse, dei graças a Deus por viver na Alemanha, país com leis que protegem as mulheres.

As leis, não fossem as leis... Que bom que o Brasil também protege as mulheres... Que bom que os juízes aplicam as leis...

Qual nada. No momento que acabei de ler o livro, recebi um e-mail do Brasil com um texto da Folha sobre um tal de juiz chamado Edilson Rodrigues.

Segundo o jornal, o juiz considera inconstitucional a Lei Maria da Penha, assinada recentemente pelo Presidente Lula, contra a violência doméstica. O juiz confessou que o mundo é masculino e que a culpa de todos os problemas é da mulher. Todas as desgraças começaram com a Eva diabólica que induziu o ‘ingênuo’ Adão a comer a maçã e a descobrir o Conhecimento.

Parece que o juiz desconhece que se não fosse Eva, o homem não teria chegado aonde chegou. Estaria ainda no ‘paraíso’, pelado, pululando como um cabrito.

Se o juiz culpa Eva por ter desencaminhado o coitadinho do Adão, e reage contra as mulheres pelas mazelas dos homens, imagine quando ele descobrir a estória de Lilith. O homem vai se matar certamente.

Na cabeça do juiz, o Brasil deveria ter leis baseadas na charia muçulmana. E as mulheres, apedrejadas por seus Adãos.

20/10/2007

EXTRAVAGANTE, o prazer de escutar música de qualidade



O grupo Extravagante, através da sensibilidade musical do vocalista Daniel Pircher , reporta-nos a uma viagem dentro da nossa alma. Com carísma e charme, Benjamin Walbrodt transforma o violoncello em harmonia constante aos nossos ouvidos.

Die Gruppe Extravagante besteht aus dem Gitarristen und Sänger Daniel Pircher und dem Violoncellisten Benjamin Walbrodt.Ihr Repertoire setzt sich aus Liedern und Instrumentalstücken verschiedener Stilrichtungen zusammen, die ihre gemeinsame Basis in der portugiesischen Musik haben.

Apresentação na Sexta (Freitag) - 26.10 20 horas (Uhr)

Local (Ort) a Livraria à Torstr.159 Mitte - Berlin

19/10/2007

Davi em bronze




Donato di Niccoló di Betto Bardi, chamado Donatello (Florença, c.1386 - 13 de dezembro de 1466) foi um escultor italiano. Trabalhou em Florença, Prato, Siena e Pádua, recorrendo a várias técnicas (tuttotondo,baixo-relevo, stiacciato), e materiais (mármore, bronze, madeira). Separou -se definitivamente do gótico retomando e superando a arte grega e romana,seja formalmente, seja estilisticamente. Muito particular foi sua capacidade de sugerir humanidade e introspecção em suas obras.

De cerca de 1430 é o Davi em bronze. Obra realizada por comissão de Cosme de Médici, a estátua pode representar tanto o Davi bíblico, simbolo das virtudes cívicas, quanto o deus Mercúrio que contempla a fronte de Argo e dá uma representação intelectual e refinada da figura humana, se inspirando na arte helênica, com corpo nú, o pé sobre a cabeça de Golias, corpo vivo, alegoricamente representa a razão que triunfa sobre a força bruta e a irracionalidade. Deste mesmo ano e no mesmo clima cultural é a estatueta ambigua e inquietante Amore-Atys, atualmente, como o Davi, no Bargello. Entre 1431 e 1433 esta em Roma, onde realiza o Tabernáculo do Sacramento para a basilica de São Pedro. De volta a Florença, trabalha no Coro para o Duomo.

Leia mais aqui

18/10/2007

Ambiente social influencia identidade de imigrante

Relatório divulgado pelo governo alemão mostra que o meio em que os imigrantes vivem tem maior influência na formação da sua identidade do que as origens e a religião.

Embora fatores como etnicidade, religião e histórico de migração desempenhem um papel importante no dia-a-dia dos imigrantes, os seus atuais ambientes sociais são muito mais importantes para a formação da sua identidade, afirma o estudo.

O relatório é baseado em 104 entrevistas e distinguiu oito ambientes sociais de imigrantes, indo de "religiosamente enraizado" – pessoas baseadas em valores morais rigorosos e conservadores – até o meio "intelectual cosmopolita" – com atitudes tolerantes e mais liberais.

Gerd Hoofe, vice-ministro alemão, disse que "os imigrantes estão dispostos a se integrar, mas eles também não querem esquecer suas raízes". O vice-ministro acrescentou que nível de educação e urbanidade também são fatores determinantes. Já para o psicólogo Bodo Flaig, que participou do estudo, o relatório comprova que a vida dos imigrantes não é determinada pela religião.

Também nesta semana, a chanceler Angela Merkel disse que a Alemanha deve tomar medidas para tornar o sucesso educacional menos dependente do contexto social. "Não podemos negligenciar um único talento."

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o sistema escolar alemão aparece em último lugar no ranking das 17 nações industrializadas quando se trata de apoio a crianças imigrantes.

Na Europa, a Alemanha aparece no grupo intermediário no que diz respeito à integração de trabalhadores estrangeiros. Ela ficou no 14º lugar entre os 28 países estudados para o MPIEX, um índice que mede as políticas de integração de imigrantes.

A Suécia foi considerada o país que melhor ajuda os imigrantes a se sentirem bem-vindos, enquanto a Letônia ficou com a pior posição.

O estudo constatou que, em geral, os países da UE são bons em ajudar os imigrantes a se tornar moradores de longo prazo, mas não criam facilidades para quem quer se tornar um cidadão com plenos direitos.

Os autores do estudo disseram que não pretendem desmascarar e constranger ninguém, ao contrário, querem com isso estimular os governos nacionais a usarem suas conclusões como instrumentos para guiar futuras políticas de integração.

A Europa tem estimadamente 20 milhões de imigrantes legais. Na Alemanha, há mais de 15 milhões de pessoas com um histórico de migração, ou 19% da população.

DW

17/10/2007

Uma certa Aracy

Eles se conheceram em Hamburgo, na Alemanha, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Ele, menino pobre, viu na carreira diplomática uma maneira de conhecer o mundo. Em 1934, prestou o concurso para o Itamaraty e foi ser cônsul adjunto na Alemanha.

Ela, paranaense, foi morar com uma tia na Alemanha, após a sua separação matrimonial. Por dominar o idioma alemão, o inglês e o francês, fácil lhe foi conseguir uma nomeação para o consulado brasileiro em Hamburgo. Acabou sendo encarregada da seção de vistos.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a célebre circular secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país.

É aí que se revela o coração humanitário de Aracy. Ela resolveu ignorar a circular que proibia a concessão de vistos a judeus. Por sua conta e risco, à revelia das ordens do Itamaraty, continuou a preparar os processos de vistos a judeus. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas.

Quantas vidas terá salvo das garras nazistas? Quantos descendentes de judeus andarão pelo nosso país, na atualidade, desconhecedores de que devem sua vida a essa extraordinária mulher?

Cônsul adjunto à época, seu futuro segundo marido, João Guimarães Rosa, não era responsável pelos vistos. Mas sabia o que ela fazia e a apoiava.

Em Israel, no Museu do Holocausto, há uma placa em homenagem a essa excepcional brasileira. Fica no bosque que tem o nome de Jardim dos justos entre as nações.

O nome dela consta da relação de 18 diplomatas que ajudaram a salvar judeus, durante a Segunda Guerra. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa é a única mulher. Mas seu denodo, sua coragem não pararam aí.

Na vigência do infausto AI 5, já no Brasil, numa reunião de intelectuais e artistas, ela soube que um compositor era procurado pela ditadura militar. Naquele ano de 1968, ela deu abrigo durante dois meses ao cantor e compositor que conseguiu, sem ser molestado, fugir para país vizinho.

Ela o escondeu no escritório de seu apartamento. Aquele mesmo local onde seu marido, João Guimarães Rosa, escrevera tanta história de coronel e jagunço.

Durante todos aqueles dias, o abrigado observava, da janela, a movimentação frenética do exército no quartel do Forte de Copacabana.

Reservada, Aracy enviuvou em 1967 e jamais voltou a se casar. Recusou-se a viver da glória de ter sido a mulher de um dos maiores escritores de todos os tempos. Em verdade, ela tem suas próprias realizações para celebrar.

Hoje, aos 99 anos, pouco se recorda desse passado, cheio de coragem, aventura, determinação, romance, literatura e solidariedade. Mas a sua história, os seus feitos merecem ser lidos por todos, ensinados nas escolas.

Nossas crianças, os cidadãos do Brasil necessitam de tais modelos para os dias que vivemos.

Seu marido a imortalizou em sua obra Grande sertão: veredas. Ao publicar a obra, não a dedicou a ela, doou a ela seu livro mais importante.

Aracy desafiou o nazismo, o estado novo de Getúlio Vargas e a ditadura militar dos anos 60.

Uma mulher que merece nossas homenagens. Uma brasileira de valor. Uma verdadeira cidadã do mundo.


com base no artigo Uma certa Aracy, um certo João, de René Daniel Decol, publicado na Revista Gol(de bordo), de agosto 2007.

13/10/2007

Indagação de Shopenhauer




O filósofo alemão Shopenhauer (1788-1860) caminhava por uma rua de Dresden, procurando respostas para questões que o angustiavam. De repente, viu um jardim e resolveu ficar horas seguidas olhando as flores.

Um dos vizinhos notou o comportamento estranho daquele homem, e chamou a Guarda Civil. Minutos depois, um policial se aproximava de Shopenhauer.

"Quem é o senhor?", perguntou o policial, com voz dura.

Shopenhauer olhou de alto a baixo o homem a sua frente.

"Se o senhor souber responder esta pergunta", disse o filósofo, "eu lhe serei eternamente grato".

12/10/2007

Doris Lessing é a 11ª mulher Nobel da Literatura

Doris Lessing é a décima primeira mulher a vencer o prêmio Nobel da Literatura, depois de Selma Lagerlöf (1909), Grazia Deledda (1926), Sigrid Undset (1928), Pearl Buck (1938), Gabriela Mistral (1945), Nelly Sachs (1966), Nadine Gordimer (1991), Toni Morrison (1993), Wislawa Szymborska (1996) e Elfriede Jelinek (2004).

Para o Reino Unido esta é a 113ª vez que tem um dos seus cidadãos distinguidos pela Fundação Novel. Lessing surge na lista ao lado de nomes tão célebres como Harold Pinter, David Trimble, Winston Churchill ou Bertrand Russell, entre muitos outros.

Confira todos os vencedores do Nobel da Literatura

2007 - Doris Lessing
2006 - Orhan Pamuk
2005 - Harold Pinter
2004 - Elfriede Jelinek
2003 - J. M. Coetzee
2002 - Imre Kertész
2001 - V. S. Naipaul
2000 - Gao Xingjian
1999 - Günter Grass
1998 - José Saramago
1997 - Dario Fo
1996 - Wislawa Szymborska
1995 - Seamus Heaney
1994 - Kenzaburo Oe
1993 - Toni Morrison
1992 - Derek Walcott
1991 - Nadine Gordimer
1990 - Octavio Paz
1989 - Camilo José Cela
1988 - Naguib Mahfouz
1987 - Joseph Brodsky
1986 - Wole Soyinka
1985 - Claude Simon
1984 - Jaroslav Seifert
1983 - William Golding
1982 - Gabriel García Márquez
1981 - Elias Canetti
1980 - Czeslaw Milosz
1979 - Odysseus Elytis
1978 - Isaac Bashevis Singer
1977 - Vicente Aleixandre
1976 - Saul Bellow
1975 - Eugenio Montale
1974 - Eyvind Johnson, Harry Martinson
1973 - Patrick White
1972 - Heinrich Böll
1971 - Pablo Neruda
1970 - Alexandr Solzhenitsyn
1969 - Samuel Beckett
1968 - Yasunari Kawabata
1967 - Miguel Angel Asturias
1966 - Shmuel Agnon, Nelly Sachs
1965 - Mikhail Sholokhov
1964 - Jean-Paul Sartre
1963 - Giorgos Seferis
1962 - John Steinbeck
1961 - Ivo Andric
1960 - Saint-John Perse
1959 - Salvatore Quasimodo
1958 - Boris Pasternak
1957 - Albert Camus
1956 - Juan Ramón Jiménez
1955 - Halldór Laxness
1954 - Ernest Hemingway
1953 - Winston Churchill
1952 - François Mauriac
1951 - Pär Lagerkvist
1950 - Bertrand Russell
1949 - William Faulkner
1948 - T.S. Eliot
1947 - André Gide
1946 - Hermann Hesse
1945 - Gabriela Mistral
1944 - Johannes V. Jensen
1939 - Frans Eemil Sillanpää
1938 - Pearl Buck
1937 - Roger Martin du Gard
1936 - Eugene O'Neill
1934 - Luigi Pirandello
1933 - Ivan Bunin
1932 - John Galsworthy
1931 - Erik Axel Karlfeldt
1930 - Sinclair Lewis
1929 - Thomas Mann
1928 - Sigrid Undset
1927 - Henri Bergson
1926 - Grazia Deledda
1925 - George Bernard Shaw
1924 - Wladyslaw Reymont
1923 - William Butler Yeats
1922 - Jacinto Benavente
1921 - Anatole France
1920 - Knut Hamsun
1919 - Carl Spitteler
1917 - Karl Gjellerup, Henrik Pontoppidan
1916 - Verner von Heidenstam
1915 - Romain Rolland
1913 - Rabindranath Tagore
1912 - Gerhart Hauptmann
1911 - Maurice Maeterlinck
1910 - Paul Heyse
1909 - Selma Lagerlöf
1908 - Rudolf Eucken
1907 - Rudyard Kipling
1906 - Giosuè Carducci
1905 - Henryk Sienkiewicz
1904 - Frédéric Mistral, José Echegaray
1903 - Bjørnstjerne Bjørnson
1902 - Theodor Mommsen
1901 - Sully Prudhomme

11/10/2007

Ela merece





A romancista britânica Doris Lessing venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2007, informou nesta quinta-feira, 11, a Academia Sueca.

A academia classificou a escritora de 87 anos como uma autora "da experiência feminina, que, com ceticismo, fogo e poder visionário, sujeitou uma civilização dividida ao escrutínio".

Li há alguns meses o livro 'O quinto filho' (Das fünfte Kind) e fiquei surpresa com a capacidade da autora de trabalhar o surreal, o inverossímel.

Aprendi que na literatura tudo é possível pois, como Lessing pode criar estória tão monstruosa dentro da sociedade inglesa?

Feira do Livro de Frankfurt bate recorde histórico

A Feira do Livro de Frankfurt foi inaugurada oficialmente nesta quarta-feira com um número recorde de expositores.

A feira em Frankfurt é o maior evento do setor editorial no mundo e conta neste ano com 7,3 mil expositores de 110 países – um recorde histórico.

Cerca de 400 mil novos livros serão expostos em Frankfurt, que por cinco dias se torna o centro mundial de compra e vendas de direitos autorais.

A feira deve movimentar cerca de um bilhão de euros em negócios e atrair cerca de 250 mil visitantes.

Cerca de mil escritores estão sendo aguardados em Frankfurt – entre eles Umberto Eco, Fay Weldon, Zeruya Shalev e Richard Dawkins.

Mais de 2,5 mil eventos literários como premiações, debates e leituras públicas deverão ocorrer durante a feira, que neste ano homenageia a literatura da Catalunha.

O Brasil também está presente com um estande de 120 metros quadrados organizado pela Câmara Brasileira do Livro.

Trinta e sete editoras brasileiras enviaram cerca de 1,3 mil títulos que ficam expostos em um estande conjunto no pavilhão número 5.

Com 170 mil metros quadrados de área de exposição, a feira está chegando a limite de sua capacidade. Um novo pavilhão deverá estar à disposição a partir de 2009.

Apesar de cada vez mais livros serem impressos no mundo, as editoras estão preocupadas com a concorrência da internet e de outros meios de comunicação.

Uma enquete feita pela feira do livro entre empresas de todo o mundo mostra que a pirataria e a quebra de direitos autorais também são problemas que preocupam o setor.

Das editoras entrevistadas, 23% acham que as livrarias deixarão de existir nas próximas décadas, mas só 11% acreditam que livros impressos estarão extintos daqui a 50 anos.

A Feira do Livro de Frankfurt vai até o dia 14 de outubro de 2007.

Fonte: BBC (Marcelo Crescenti)

09/10/2007

Prêmio Alemão do Livro

A escritora Julia Franck recebe este ano o Prêmio Alemão do Livro (Deutsche Buchpreis). A Associação do Comércio Livreiro Alemão premiou a autora com 25 mil euros, em reconhecimento aos seu romance Die Mittagsfrau (A Mulher do Meio-Dia).

utros prêmio: Das bin doch ich (Mas sou eu), de Thomas Glavinic, Abendland (Ocidente), de Michael Köhlmeier, Böse Schafe (Ovelhas Más), de Katja Lange-Müller, Der Mond und das Mädchen (A Lua e a Donzela), de Martin Mosebach e Wallner beginnt zu fliegen (Wallner começa a voar), de Thomas von Steinaecker.

O Prêmio Alemão do Livro, concedido há três anos, é destinado ao melhor romance de língua alemã.

08/10/2007

Morre o escritor Walter Kempowski

O escritor e professor Walter Kempowski (Rostock, 1929) morreu nesta sexta-feira (05/10) aos 78 anos de idade, vítima de câncer. Entre suas obras principais está a monumental Echolot, uma colagem de documentos sobre a Segunda Guerra em quatro volumes, que reúne diários pessoais, cartas, trechos de biografias e relatos de época.

Kempowski foi recrutado em 1944, aos 15 anos de idade, como auxiliar na defesa antiaérea. Após o fim da guerra, completou sua formação profissional como comerciante em Rostock, na Alemanha Oriental, e radicou-se na Alemanha Ocidental. Em visita a Rostock em 1948, foi detido pelo serviço secreto soviético sob acusação de espionagem e condenado a 25 anos de prisão.

"Durante toda a minha vida, não fiz nada além de me ocupar do passado. Este é meu objetivo de vida", disse certa vez.

fonte: Deutsche Welle

07/10/2007

Quadro de Monet danificado


O quadro "A ponte de Argenteuil", do pintor Claude Monet, foi "severamente danificado" por um grupo que invadiu o museu de Orsay, em pleno centro de Paris, na noite de sábado (6), informou o Ministério da Cultura francês neste domingo (7).

"Um grupo de indivíduos bastante embriagados entrou no museu de Orsay. Depois de ativar os sinais de alarme, bateram no quadro e o danificaram severamente", disse à agência de notícias AFP Paul Rechter, conselheiro de comunicação da ministra da Cultura, Christine Albanel.

O quadro, de 1874, foi rasgado em pelo menos 10 centímetros, mas as autoridades não forneceram mais detalhes do estrago.

A polícia local não conseguiu prender os responsáveis pelo vandalismo.

05/10/2007

Ex-meninos de rua

Crianças e jovens cariocas conquistam europeus em espetáculo de folclore brasileiro que conta as transformações em suas vidas ao serem acolhidos pela Casa do Menor.

Com muita dança e capoeira, o grupo Renovarte, formado por 15 crianças e jovens da Casa do Menor, do Rio de Janeiro, está apresentando na Alemanha e na Itália a realidade das crianças carentes brasileiras. Acompanhados por três educadores, pela presidente da entidade e pelo padre italiano Renato Chiera, fundador da Casa, eles visitarão o papa Bento 16 no próximo dia 17.

A viagem é uma forma de agradecer aos europeus que colaboram com a entidade através de donativos. No último final de semana, o grupo de jovens artistas passou por Colônia, no oeste alemão.

Os brasileiros apresentaram o espetáculo Apesar de tudo, a vida é bonita, que conta a história do Brasil e fala da problemática dos meninos de rua. Apesar de muito sofrimento, violência e desespero, eles mostram que o amor pode transformar tudo. Segundo o padre Chiera, é isso que a Casa do Menor ensina: "Os meninos não são problema, são solução. E não estariam na rua se tivesse alguém os esperando em casa".

Douglas Pereira era menino de rua até ser recebido pela Casa do Menor, há um ano e meio. Desde lá, descobriu seus talentos no canto e na dança e agora faz parte do grupo. Ele está achando a viagem inesquecível e comenta que são tantas as impressões colhidas que "ainda não caiu a ficha". A apresentação brasileira tem sido muito elogiada. "Eles apresentam um Brasil verdadeiro, não só o oba-oba", disse um dos espectadores.

A Casa do Menor São Miguel Arcanjo foi fundada em 1986 pelo padre Renato Chiera, que em 1978 havia sido enviado pela sua diocese italiana para a Baixada Fluminense. Ele afirma que a rua sempre foi sua paróquia e que ele estava cansado de enterrar meninos. Em apenas um mês, haviam sido assassinados 36 menores. "Eu não queria ser apenas o padre coveiro, mas ser como Jesus, que veio para dar a vida", relembra Chiera.

Mais de 15 mil jovens já foram ajudados pela Casa do Menor, que atualmente abriga cerca de 450 crianças e adolescentes, e oferece cursos diurnos a outros 3 mil. Reconhecida como uma das maiores entidades do gênero no Brasil, ela está presente em seis locais no Rio de Janeiro e tem duas representações em Fortaleza. Também há convite para que se instale em Angola e Moçambique, na África.

O padre Chiera comenta que antes "nem o diabo queria chegar na Baixada Fluminense". Agora, a Casa do Menor até já recebeu a visita de cinco ministros interessados em implementar um programa semelhante ao sistema de bairro-escola oferecido pela Casa do menor, onde as crianças estudam e trabalham pelas melhorias da região onde moram.

Aline Gehm Koller

04/10/2007

'Aniversário da reunificação'

O texto do Flávio Aguiar, pubicado na "Carta Maior, trata da reunificação da Alemanha ainda em processo e cercado de polêmicas. O autor afirma que há uma sensação de que na verdade não houve uma reunificação, mas uma anexação da Alemanha Oriental pela Ocidental. E que isto ocorreu na verdade sem preparo econômico, muito menos político.

Segue a análise.

"Dia 3 de outubro, quarta-feira próxima, comemora-se o 17° aniversário da reunificação da Alemanha. Este hoje é o principal feriado no país. Como já é tradição, em Berlim haverá festa na rua, sem desfile militar, e um pronunciamento do Presidente da República é esperado. Especula-se na mídia e fora dela sobre o conteúdo deste pronunciamento: pode ser as dificuldades do acesso ao ensino superior, ou o desemprego. Ou ainda a solidariedade para com a África, tema que em sendo constantemente aventado na Alemanha.

Na verdade a reunificação ainda é um processo, e não sem discussões ou até polêmicas. Ninguém é contrário a ela. Ninguém manifesta saudades do antigo regime da Alemanha Oriental, a não ser por determinadas conquistas sociais que num primeiro momento, que dura até hoje, foram varridas do mapa.

Quando estive na Alemanha há onze anos, ou mesmo até há oito anos, visitei aldeias na Alemanha Oriental que se tornaram quase fantasmas, habitadas apenas por idosos e idosas que se mantinham, numa delas, vendendo doces (maravilhosos) para os visitantes. Os armazéns de fornecimento do antigo regime estavam vazios, todos os que podiam procuravam supermercados e shoppings centers nas proximidades, onde rugia o capitalismo vencedor.

Há uma sensação de que na verdade não houve uma reunificação, mas uma anexação da Alemanha Oriental pela Ocidental. E que isto ocorreu na verdade sem preparo econômico, muito menos político. É claro que um acontecimento desses e seus desdobramentos não podem ser previstos, ainda mais do modo dramático como tudo se deu, a partir da queda do muro de Berlim em novembro de 1989. Houve pagamentos e impostos compensatórios de uma Alemanha para a outra, mas no conjunto as duas populações se viram frente a frente sem estarem suficientemente “misturadas” do ponto de vista econômico e político.

Também o passado é polêmico. Continuam a sair pesquisas e trabalhos surpreendentes sobre as Alemanhas. Recentemente lançado, o livro “BND contra o Exército Soviético”, de Armin Wagner e Matthias Uhl, levanta a tese de que havia mais espiões no Leste a serviço do Oeste do que ao contrário, embora os daquele lado fossem mais eficientes do que os deste.

Segundo o livro, o Oeste dispunha de dez mil pessoas fazendo serviço de espionagem no Leste, enquanto os espiões deste no outro lado não passavem de seis mil. Já em 1955 o Oeste teria 5 mil espiões. Quem eram?

Em geral, ex-militares que faziam o trabalho por uma espécie de “camaradagem” de arma para com seus colegas do lado ocidental. Ou então familiares que visitavam seus parentes (e estes também) do outro lado do muro. Havia também os anti-comunistas e os aventureiros. Raros seriam os motivados por razões financeiras. Quando era o caso, os espiões juntavam dinheiro numa conta no Oeste, na esperança de um dia viverem deste lado da Cortina de Ferro.

Uma das revelações mais curiosas do livro é a de que em 1961, alguns meses antes da construção do muro de Berlim acontecer, a informação de que isso aconteceria foi passada para o Oeste. Mas deste lado ninguém a levou a sério, tão inusitada a idéia parecia.

Uma das razões apontadas para a maior eficiência dos espiões do Leste no Oeste foi a de que aquele lado conseguiu infiltrar agentes no alto escalão do governo deste lado, sem que o contrário acontecesse. Enquanto isso levantou-se também na imprensa a permanência do drama das “crianças russas” na Alemanha de hoje. Essas “crianças”na verdade hoje têm sessenta anos ou mais. São filhos e filhas de soldados russos com mães alemãs, de logo da ocupação militar do território germânico pelo Exército Vermelho. Algumas foram fruto de um estupro, malefício comum nas guerras. Outras, até de raros casos de paixão. Todas foram vítimas de cruéis preconceitos e atitudes de perseguição, como seria de esperar num caso desses.

Várias dessas “crianças” continuam buscando seus pais no lado russo.

Uma coisa é certa: apesar da presença militar da Alemanha no Afeganistão, bastante polêmica, se há um país no mundo que parece pouco inclinado hoje a uma aventura militar, qualquer que seja, esse país é a Alemanha. O sucesso e o desastre nazistas, em que pesem os surtos não raros de episódios de racismo genérico, ou de anti-semitismo, parecem ter vacinado a maioria dos alemães contra taus aventuras extremas. Esperemos que a vacina seja duradoura."

03/10/2007

Antes da Metralha ...

Tomaz Kim


Antes da metralha e do dedo da morte...

Antes dum corpo jovem, anônimo,

apodrecer, esquecido, à chuva...

Ou singrar, boiando, nas águas mansas...

Ou se despedaçar contra o céu indiferente...


Antes do pavor e do pranto e da prece...

Um adeus longo e triste

aos poemas amontoados no fundo da gaveta

e à renúncia ao teu amor brando

e às noites calmas e ao sonho inacabado...


Antes da morte sem mistério...

Um adeus longo e triste

à luta de que não se partilhou!


Tomaz Kim (1915-1967), pseudónimo de Joaquim Fernandes Tomaz Ribeiro-Grillo, nasceu em Angola e faleceu em Lisboa. Frequentou o curso de Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa, sendo posteriormente convidado para leccionar na mesma instituição. Viveu vários anos em Londres, vindo a ser influenciado pelos thirties e mantendo-se alheio aos movimentos que iam caracterizando a poesia portuguesa do século XX. Pertenceu à direcção da revista Cadernos de Poesia. Foi autor de vários estudos de literatura e de traduções de poetas e ficcionistas anglo-saxónicos.

Obras poéticas: Em Cada Dia se Morre (1939); Para a Nossa Iniciação (1940); Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (1943); Dia de Promissão (1945); Flora & Fauna (1958), Exercícios Temporais (1966).

02/10/2007

Tesouros à disposição

Tesouros informativos de vários países estarão disponíveis gratuitamente para qualquer internauta, a partir deste mês, com a formação da Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU.

O portal terá, na primeira fase, mapas, fotografias e manuscritos, com textos explicativos em sete línguas, inclusive português. Na segunda fase, será possível consultar livros.

A Biblioteca Nacional brasileira é uma das participantes.

01/10/2007

Samba da Bahia toma palcos da Alemanha

Desde o início de setembro, músicos e dançarinos apresentam em Hamburgo a história do samba, com um repertório que inclui repente e sambas regionais.

Todos eles vêm da Bahia, escreve a jornalista Renate Krieger do Deutsche Welle. "Temos um casamento de criação e de apresentação. Nossa pegada no samba é irmã; pode não ser da mesma cama, mas é filha da mesma casa." O tom jocoso é de Antônio Ribeiro da Conceição. Mais conhecido como Bule-Bule, o músico de 60 anos é um dos cantores de repente (mistura de música e poesia improvisada) mais conhecidos da Bahia.

Após um mês na Alemanha, Bule-Bule vai começar a passar frio em Hamburgo, uma vez que o outono já chegou à Europa. Mas só fora de cena. No teatro Fliegende Bauten, ele esquenta o público ao lado de Raimundo Sodré e Mateus Aleluia, dois outros ícones da música baiana. Os três aliaram o nome ao samba de diferentes regiões do Estado.Os três fazem parte do espetáculo Born To Samba - Ritmo do Brasil, que começou uma turnê pela Alemanha no início de setembro. No ano que vem, o samba baiano ganhará os palcos da Europa, passando, entre outras capitais, por Berlim, Viena e Zurique, para mostrar as origens e a evolução do samba.

Born To Samba reúne três gerações: além dos mestres calejados do samba, o espetáculo mostra o trabalho da banda Bitgaboot, formada por músicos da escola Pracatum, criada por Carlinhos Brown. Uma iniciativa que dá formação musical a adolescentes do bairro do Candeal, em Salvador. A vocalista à frente do Bitgaboot em Hamburgo é Paloma Pinheiro Gomes, de 23 anos.

Na estréia do espetáculo, a imprensa alemã destacou o mundo retratado pelas três gerações no palco, "bem distante dos sonhos e do figurino brilhante do carnaval", segundo o semanário alemão Stern. "Quando o homem de estatura baixa e chapéu de couro levanta a voz, sente-se a distância do Brasil, a seca e as provações da vida no campo", escreveu o jornalista Felix Disselhoff, referindo-se a Bule-Bule. Da mesma maneira, o canal de televisão ZDF mostrou a moradia de alguns dos integrantes do grupo no bairro do Candeal.

De fato, Born To Samba quebra alguns estereótipos. Não é comum ver a literatura de cordel brasileira na Europa. Segundo Bule-Bule, o espetáculo foi concebido para conquistar os alemães.

"Há brasileiros que vêm para matar a saudade, mas [Born To Samba] é mais para aclimatar o alemão com esse tipo de espetáculo, [composto por] teatro, dança, muita coreografia, muito movimento", explica o senhor de longa barba branca e sotaque baiano carregado. "Também tem muita letra, muita poesia. A mensagem [do samba] está sendo passada de várias formas, tanto com a linguagem corporal quanto com a linguagem poética e literária", explicou Bule-Bule.

Por outro lado, Born To Samba deixa transparecer alguns clichês associados ao Brasil no exterior, a começar pela descrição do espetáculo no website de divulgação: "Com Born To Samba, você encontra o ritmo quente do samba e os maravilhosos hits da Bossa Nova dos anos 50 e 60".

O teatro Fliegende Bauten ainda não calculou o total de pessoas que viram o espetáculo, mas a estréia mexeu com o público. "Não foram apenas os brasileiros na platéia que começaram a dançar. Ninguém ficou sentado: aplausos de pé e um entusiasmo ensurdecedor recompensaram, merecidamente, o conjunto de 24 músicos e a opulência do show", escreveu o jornal Hamburger Abendblatt.

Bule-Bule e Raimundo Sodré colaboram constantemente em seus respectivos discos e shows. Mas é a primeira vez que estão juntos no palco, num espetáculo conjunto.

Bule-Bule é conhecido pelo improviso do repente, que alia à literatura de cordel e a sambas rurais – dos quais o exemplo mais presente em sua obra é o álbum Licutixo.

A consagração de Raimundo Sodré no Brasil veio com a identidade nordestina. Seu trabalho mais conhecido é a canção A Massa, um samba de roda considerado antológico. Em 1980, ficou em terceiro lugar no Festival da Nova MPB da Rede Globo. Sodré vendeu mais de cem mil cópias do disco de mesmo nome.

Mateus Aleluia também carrega a história do samba. Aleluia é o único integrante vivo do extinto grupo Tincoãs. Originário de Cachoeira (Recôncavo Baiano), o conjunto fez sucesso nos anos 70 e ainda hoje está presente na memória brasileira.

Aleluia trabalha intensamente com a busca das origens da música brasileira. Para isso, mudou-se para Angola em 1983. "Fomos a Angola como parte dos projetos de solidariedade com os chamados países por trás da Cortina de Ferro", relata Aleluia, cujos filhos também seguiram a carreira musical.

"Ficamos lá [em Angola] com um projeto de investigação cultural, para apurar os vestígios da música angolana na cultura brasileira e vice-versa. Há quatro anos, voltei ao Brasil para fazer um respaldo do trabalho que estamos fazendo em Angola", explica.

Além do histórico do samba, o show brasileiro em Hamburgo também serve de protesto. "Onde estiver o problema, nós vamos lá e aplicamos um remédio para curar aquela dor momentânea", explica Bule-Bule.