29/09/2009

Cantora brasileira e músicos alemães unem-se a para renovar a bossa nova

Para criar algo genuinamente brasileiro, a bossa nova combinou estilos e tendências musicais de várias partes do mundo. Agora são os europeus que readaptam, modernizam e remodelam a Bossa Nova.

O mais recente exemplo da renovação europeia da bossa nova é o projeto da cantora brasileira Paula Morelenbaum, famosa por colaborar durante muitos anos com Antônio Carlos Jobim. Em parceria com o orquestrador alemão Ralf Schmid e a big band da emissora de rádio e televisão alemã SWR, ela lançou o álbum Bossarenova. Paula Morelenbaum esteve em turnê na Alemanha em setembro e conversou com a Deutsche Welle.

DW-WORLD: Como surgiu a ideia para o álbum?

Paula Morelenbaum: A ideia partiu de Ralf Schmid, que me procurou com uma proposta de fazer um álbum de bossa nova com arranjos dele para uma big band alemã. Eu achei a ideia muito interessante. A partir daí, procuramos um repertório coerente para esse projeto, fizemos uma longa pesquisa, durante alguns meses, para chegarmos à conclusão desse álbum.

O que é novo em Bossarenova?

Novo nesse álbum são os arranjos modernos. É uma concepção do século 21, mistura de música acústica com eletrônica. A big band é composta por 17 músicos de sopro e quatro músicos de base que tocam bossa nova. O Bossarenova já é novo por misturar um estilo de musica cool com arranjos que até o momento eram mais tradicionais, e nesse disco foi possível uma big band ser cool.

O que diria Tom Jobim das inovações?

Acho que o Tom gostaria muito de saber que a bossa nova tem ganhado novas caras, pelo menos esse é meu desejo. O Tom era um cara muito aberto a tudo, a novas propostas e, principalmente, a projetos de bom gosto musical, já que ele era um super compositor e super arranjador. O bom gosto dele prevalece na sua obra. Os arranjos de Ralf Schmid estão muito bons, muito bonitos, muito adequados, não ouve nenhum exagero, acho que isso surpreende o ouvinte, que de repente acha que uma big band tem que ser uma coisa pesada. Esses arranjos foram especialmente singelos, mais ao mesmo tempo grandiosos, fortes, onde a big band está bem representada. Eu acho sim, que o Tom gostaria muito de saber que a música dele está viva, e a gente pode renovar esse estilo com a nossa tecnologia e com a nossa mente do século 21.

Por que a colaboração com uma orquestra e um arranjador alemães?

O convite partiu de Ralf Schmid e da turma da SWR Big Band. A ideia partiu dele, que me convidou, achei muito bacana, confiei na proposta, nos arranjos e não me arrependo. Acho que fizemos um trabalho muito interessante, reunindo as raízes da música brasileira com as raízes da música alemã e europeia, e acho que essa junção mostrou que funciona.

A bossa nova é caracterizada por ter um violão e pouco mais, como acompanhamento. O som da big band não desvirtua o gênero?

É verdade que estamos fazendo uma coisa diferente. A característica da bossa nova é a simplicidade, a voz e o violão, pequenos arranjos de cordas muito leves. E de repente aparece uma big band com essa proposta. Eu não acho que desvirtue, acho que acrescenta, era isso que eu queria ver e acabei vendo. O resultado de junção me agrada muito. É uma soma e não acho que desvirtue, não.

É diferente a sonoridade da bossa nova made in Germany?

Acho que a bossa nova made in Germany é diferente, sim, da feita no Brasil, em Ipanema, na esquina do Rio de Janeiro. É claro, já que somos brasileiros, e vocês alemães. Eu acho que isso faz essa mistura muito interessante, da mesma forma que a bossa nova que é feita nos EUA também é diferente, ou na Itália, ou na França. Da mesma forma que o jazz é feito diferente no Brasil. Cada um tem a sua parcela na música, coloca um pouco de si, e a música é essa junção. Como mesmo dizia Tom Jobim, não existe uma música pura brasileira, porque se a música brasileira fosse completamente pura, estaríamos tocando atabaques como os índios tocavam. A mistura é o que evolui, na minha opinião, gosto muito disso, há bastante tempo, já em outros trabalhos, sempre tive a colaboração de músicos estrangeiros e arranjadores, acho que essa colaboração faz bem à música.

Como você escolheu o repertório e que influência teve Ralf Schmid neste contexto?

Nós fizemos esse repertório juntos, o Ralf tinha algumas ideias, me mandava, eu também tinha outras, foi uma troca, nos demos muito bem nesse sentido. Todas as opiniões eram bem-vindas. Eu tive a ideia da música do Schumann, por exemplo. Eu havia ouvido o arranjo do Arthur Nestrovski, super músico e compositor brasileiro, faz letras, versões muito bonitas, até mesmo de Schubert. Achei super pertinente fazer essa canção no estilo bossa nova; me impressionei muito, sugeri ao Ralf. Ele achou ótimo e então me sugeriu uma musica de Villa Lobos, me pediu que eu procurasse uma canção para fazermos mais uma transformação, daí surgiu a ideia da modinha. Eu acho que foi uma colaboração mútua, onde nos demos muito bem.

Como vocês decidiam o que podia entrar no repertório?

Os critérios que procurávamos eram músicas do universo da bossa nova, a que a gente pudesse dar uma cara renovada. Chegamos a esse título "renova" por conta disso, de refazer, colocando elementos novos que aproximassem a música dos anos 1960 com o século 21. O critério era não só ficar com um compositor grandioso, como, por exemplo, o Tom Jobim, que se pode dizer que era o ministro da bossa nova no mundo; mas claro que a bossa nova também tem outros compositores maravilhosos, como o Baden Powell, o Marcos Vale – que por sinal não entrou por pouco nesse disco, já estava na nossa lista. Tentamos misturar sons como, por exemplo, do Jorge Ben, que não era exatamente do movimento da bossa nova, mas foi muito gravado naquela época dos anos 60. Composições dele foram hits daquele momento, Mas que nada é um sucesso que foi gravado por Sérgio Mendes. O nosso critério eram músicas que iam além da bossa nova para apresentar a vocês, misturando assim um pouco de música europeia como Schumann e até os Beatles, que também eram da época.

O que levou vocês a incluir um trecho dos Beatles?

Os Beatles entraram nessa brincadeira porque nós queríamos misturar muitos tipos de música, não só a bossa nova, não só um compositor. Queríamos ampliar. Quando chegamos a conversar sobre esse projeto, concluímos que tudo pode ser a bossa nova. Se for de bom gosto, qualquer tipo de música pode virar bossa nova. O jazz, o blues e até mesmo valsa, que se comprovou com Schumann. Até mesmo a modinha do Villa Lobos, que originalmente é uma seresta, um estilo de música que não existe mais no Brasil. A história dos Beatles foi assim: nós queríamos colocar uma música muito famosa, que remetesse às pessoas muitas lembranças, algum momento da vida, uma particularidade em qualquer lugar do mundo, não necessariamente só brasileiros ou ingleses, mais uma música universal. Colocar nessa música universal esse ritmo da bossa nova e trazê-la para o Brasil, adequando sons de pássaros com um ar tropical. Exemplo disso é o Blackbird que saiu de Londres e veio parar aqui no Rio de Janeiro.

Como foi a colaboração, de um modo geral?

A primeira colaboração foi através de e-mail e telefone, para montar o repertório, decidir qual seria o tipo de arranjo. Tivemos uma parada no meio da gravação, no final do ano, foi um tempo importante para o desenvolvimento do projeto, para ouvir o que já tínhamos gravado na primeira sessão. Quando juntamos as cinco primeiras canções, tivemos uma ideia do que iríamos colocar, foi interessante esse período entre dezembro e março, para poder reciclar as ideias e saber do que a gente tinha gostado mais. Isso facilitou a gravação da segunda parte. Acho muito importante quando se tem um tempo, e isso aconteceu nesse trabalho.

Vocês fizeram questão de incluir neste álbum as raízes do bossa nova na música erudita europeia. Por quê?

Queríamos mostrar a música europeia, por onde Tom Jobim também passou e se influenciou. Villa Lobos é um exemplo muito claro, já que Tom se deixou inspirar muito por Villa Lobos. Muitas passagens da própria modinha são exatamente as que Tom usou em outras músicas. A gente queria mostrar de alguma forma que essa influência realmente existiu. Na própria música de Schumann se percebe como é contemporânea, como poderia ser uma bossa nova. A bossa abrangia essa influência, essa música europeia, misturada com o próprio jazz, tudo poderia ser bossa nova. Isso foi um dos motivos porque colocamos essas canções eruditas.

E como concretizaram isso?

A concretização desse projeto foi a gravação, quando começamos a gravar aqui com voz e violão, fomos sentindo esse ritmo com a percussão de Marcelo Costa. Algumas faixas foram gravadas no Rio de Janeiro, mas na grande maioria o Ralf trouxe o arranjo pronto para mim. Mas às vezes a gente começava pela voz e violão e depois chegava à concepção. Um exemplo disso foi a modinha: começamos a fazê-la e naturalmente foi-se desenvolvendo e acabou sendo gravada com esse ritmo, uma bossa, uma seresta, tudo natural, não teve muita elaboração. A música se fez antes do que poderíamos imaginar.

Na contracapa do álbum anuncia-se simultaneamente uma retrospectiva e um olhar voltado para o futuro da bossa nova. É uma música com futuro? Já por algumas vezes quase desapareceu…

É uma música voltada para o futuro, sim, já que tudo que é de bom gosto é também para sempre. O jazz é uma música que já existe há muitos anos, todo mundo toca e, no final, sempre acaba se desenvolvendo. A música pop, cada um toca do seu jeito. Eu acho que a bossa nova chegou para ficar, sim. Você diz que algumas vezes ela quase morreu, eu não acredito nisso, talvez foi uma fase em que ela não foi tocada com tanta frequência pelas novas gerações. Mas as pessoas da bossa continuaram fazendo bossa e sempre tiveram um espaço muito grande, tanto no Brasil quanto fora do país. Hoje em dia, o mercado da bossa é impressionante no exterior, no Japão, nos EUA e mesmo na Europa. Isso vai continuar, a tendência é aumentar, as pessoas têm curiosidade, e os músicos gostam e vão querer sempre desenvolver esse tipo de música, que é muito agradável e inteligente.

Este álbum vai ser editado no Brasil ou é só para a Europa?

O álbum vai ser editado no Brasil, certamente, é do maior interesse de todos nós. Algumas pessoas já ouviram e estão gostando muito. Acho que vai haver muita curiosidade dos brasileiros de ouvir a bossa nova com essa roupagem de uma big band, que realmente não é comum aqui na nossa cultura. Nós estamos aguardando o momento para o lançamento no Brasil. Imagino que seja no ano que vem, vamos aguardar as críticas. Eu espero que os europeus já estejam gostando, que estejam escutando, que toquem nas rádios e que assistam aos nossos shows.

Entrevista: Cristina Krippahl (eab) - Revisão: Augusto Valente

19/09/2009

Ainda o caso do atentado nazista que presenciei

Dia 22 de agosto, publiquei aqui o ato de violência praticado no dia anterior por nazistas e que presenciei.

No sábado seguinte, houve uma manifestação apoiada por vários partidos - Die Linke, SPD, FDP e Gruen. O CDU preferiu ficar do outro lado da rua, o que foi motivo de chacota dos membros do SPD.



Na Manifestação, conversei com um policial muito simpático que me aconselhou a ir na segunda-feira seguinte ao Posto Policial para narrar a um criminalista o que eu presenciara e entregar as fotos que eu tirara.

Como senti segurança nele, prometi ir.

E fui.

Só que quem me atendeu foi a policial que estivera, junto com um colega, no local após o atentado.

E como eu vira três carros da polícia junto aos nazistas, na rua detrás do local do ocorrido, não confiei nela quando me pediu meu endereço.

Eu disse-lhe claro e em bom tom: não confio em você.

E saí.

Um dos meus colegas presentes ao atentado, e que depora, falou das minhas fotos à polícia criminalista.

Hoje recebi um convite para depor.

Ocorrerá dia 21.09 às 10 horas da madruga.

Vamos ver o que acontecerá.

06/09/2009

O gosto amargo do sorvete da esquina da Alemanha

Márcia N. Guedes

O número de desempregados nos 16 países que compõe a zona do euro subiu para 15,09 milhões (Folha On Line, 01/09/2009 - 07h57). Como entender essa notícia quando levas de brasileiros se deslocam, com emprego e moradia garantidos, para a Alemanha?

De Mainz a Colônia, barcos repletos de turistas singram o Reno. Escavado entre colinas, adornadas de castelos medievais, o rio muda repentinamente seu curso se estreitando perigosamente na garganta de Bingen. Mas, Loreley, a loura que encantava os navegantes e afundava seus barcos, descansa petrificada para sossego da turistada.

Berço do romantismo, a Renânia prospera desde que os romanos ali plantaram as primeiras videiras, hoje, cultivadas com carriolas sobre trilhos e rapel. No ângulo da bacia, o Mosel despeja suas águas no Reno e, para assegurar aquela estratégica esquina (Deutsches Eck), ergueu-se o Festung, em torno do qual cresceu a cidade de Koblenz.

É nesse cenário de contos de fadas dessas duas artérias fluviais, Mosel e Reno, que jovens do Brasil, recrutados no estado de Santa Catarina, vão trabalhar em restaurantes, cafés e sorveterias italiana, que crescem de um verão para outro, e onde os "bárbaros" germânicos, aficionados pelo sorvete e toda a culinária italiana, espantam a nostalgia.

Nada mais lógico do que incrementar o turismo numa região exuberante e que padeceu um cataclismo com a queda do muro de Berlim (1989). Ponto estratégico militar e econômico do país há dezenas de séculos, Koblenz vivia da administração pública e da presença de 10 mil soldados. Com a crise e o desemprego, o turismo seria a saída natural para o lugar e seus habitantes.

Acontece que o tsunami, que varreu a Ásia e alterou o eixo da terra, em 2005, foi precedido de um outro, 20 anos antes, que derrubou as conquistas sociais e dividiu a condição humana entre os "de dentro" e os "de fora."* Assim, o incremento do turismo em certas regiões da terra não implica consequentemente em trabalho e emprego para os habitantes do lugar, mas na reinvenção de uma outra modalidade de "sujeição"**.

"Tatiana é uma jovem catarinense, descendente de italianos, que trabalha numa sorveteria de um shopping em Koblenz. Ela e o marido dividem com mais três casais a moradia fornecida pelo empregador: uma quitinete com três divisórias, banheiro e cozinha comuns. O contrato escrito é para trabalhar 8 horas diárias e 36 semanais, mas na realidade trabalha 12 horas diárias e 72 horas semanais. Afirma que esta é a única forma de fazer um pé-de-meia e construir uma casa no Brasil. Afinal, com sua profissão, trabalhando para uma empresa do ramo de alimentos em Florianópolis, não alcançava 1 mil reais de salário mensal.

Com os colegas de trabalho, Tatiana decorou algumas frases feitas, indispensáveis para atender os clientes alemães. Trabalha de pé e corre de um lado para outro servindo mesas; o salário que recebe é o mesmo que um alemão receberia para trabalhar 8 horas diárias e 36 semanais. Com ironia compara os alemães com os brasileiros: "será que ninguém vê que começa sua jornada as 8 horas e encerra às 20 horas?" "As autoridades não sabem o que está acontecendo?". Mas logo se arrepende e revela um sentimento de culpa: "se o patrão não cumpre a lei, é 'cúmplice' dele porque aceita essa situação".

Da poética renânia Tatiana nada sabe. Não tem tempo para cursar uma escola e aprender a língua (instrumento vital para a inserção e sobrevivência em qualquer cultura). Mas se consola lembrando que outras conterrâneas, que trabalham nos estabelecimentos localizados na rua, perfazem jornadas de até 16 horas diárias. A ordem é servir enquanto tiver cliente.

Na Pior em Paris e Londres, livro autobiográfico que transformou Eric Arthur Blair em George Orwell , ele descreve a condição a que estavam submetidos empregados de hotéis e restaurantes na cidade luz na década de 1920:

"Os pongleurs também têm um ponto de vista diferente. O trabalho deles não oferece nenhuma perspectiva, é intensamente exaustivo e, ao mesmo tempo, não tem um traço de habilidade ou interesse; é o tipo de trabalho que seria feito por mulheres se elas fossem suficientemente fortes. Tudo o que se exige deles é que estejam em constante correria e que agüentem longas horas de trabalho e uma atmosfera abafada. Não têm como escapar dessa vida, pois não conseguem economizar um tostão do salário, e as sessenta a cem horas de trabalho semanais não lhes deixam tempo para aprender outra coisa. O melhor que podem esperar é achar um emprego um pouco mais leve, como guarda-noturno ou encarregado de banheiros" .

Desenraizada e vítima de um sistema contraditório, Tatiana é um ser invisível ("de fora") que amarga o sorvete da Esquina da Alemanha, mais uma prova de que a mundialização da economia nos coloca mais perto da ordem de Auschwitz do que da Germânia de Bismarck, que, temendo a revolução socialista, pediu ao Reichstag que tomasse a peito a sorte dos operários.

Curiosamente, foi nessa região, na cidadezinha de Trier, à beira do Mosel, que nasceu Karl Marx, pensador que com sua utopia alterou o curso da história do século XX. Observando como os humanos acorrem em hordas para apreciar os recantos mais românticos da terra, eu, e mais um punhado de colegas, admiradores dos ideais plantados na Escola de Frankfurt, preferimos crer que esse é um sinal de que a poética vai prevalecer e o horror deste mundo não terá a última palavra.

* BAUMAN, Zigmunt. Una Nuova Condizione Umana. Vita e Pensiero. Milão, 2003. Pág. 25.

** O processo é semelhante ao recrutamento de nordestinos para os canaviais do sul do Brasil.

Terra Magazine

02/09/2009

Lei da anistia já regularizou 11 mil imigrantes que viviam ilegalmente no Brasil

Liberdade para começar uma nova etapa da vida. Foi com essa sensação que a imigrante portuguesa filha de angolanos Yendi Vapor deixou o posto da Polícia Federal no centro de São Paulo. Ali ela ganhou a anistia, os documentos e também o direito de cursar uma faculdade, trabalhar dentro da lei e não ter mais medo de precisar ir a um hospital.

Dois meses depois que o governo brasileiro sancionou a lei que concedeu anistia aos imigrantes ilegais, mais de 11 mil pessoas foram regularizadas. E a previsão é de que 70 mil estrangeiros sejam beneficiados até 30 de dezembro.

"Quando eles carimbaram meu dedo ali no documento deu vontade de abraçar o pessoal. É um documento normal para as pessoas, mas para gente faz muita diferença e dá uma sensação muito boa", conta Yendi. (Veja o depoimento completo no vídeo ao lado)

Em São Paulo, cidade que reúne o maior número de ilegais e, consequentemente, onde há maior procura, mais de 2.000 peruanos efetuaram o pedido de anistia, segundo dados da Polícia Federal. Eles são o grupo que mais procurou o benefício, seguidos por chineses (1.819), bolivianos (1.644) e paraguaios (1.555).

O marceneiro Henry Baldi veio de Cochabamba, na Bolívia, e mora há três anos no Brasil. Para ele, a anistia significa o fim do medo de ser extraditado. "É muito difícil. Você fica suscetível, só olhando para trás para ver se não tem um policial ou alguém que possa te pegar e mandar embora daqui", explica.

"Você acaba tendo o mesmo que os brasileiros. Uma carteira registrada e o respeito das pessoas, que eu acho que é o principal. Há muito preconceito", completa a chilena Vivian Paola, que veio para o Brasil com os pais quando tinha 12 anos e desde então vive sem documentos.

Número de estrangeiros que pediram anistias (principais nacionalidades)
Peru 2.094 - Síria 70 - China 1.819 - Senegal 66 - Bolívia 1.644 - Equador 65 - Paraguai 1.555 - Grã-Bretanha 63 - Coreia do Sul 640 - Alemanha 58 - Portugal 342 - Japão 36 - Líbano 321 - Venezuela 31 - Chile 259 - Suíça 30 - Angola 232 - Rep. Congo 27 - Nigéria 188 - Cabo Verde 24 - Itália 181 - Guiana 22 - Colômbia 134 - Holanda 21 - EUA 110 - Camarões 20 - Argentina 102 - Egito 20 - Cuba 102 - Marrocos 17 - Espanha 95 - Bangladesh 16 - Guiné-Bissau 86 - Canadá 16 - Uruguai 84 - Irã 15 - França 76 - Jordânia 15.

* TOTAL GERAL = 11.010
* Fonte: Polícia Federal (até 26.08.2009)

A nova lei vale para imigrantes que entraram no país até 1º de fevereiro de 2009, tanto para quem chegou legalmente, mas ficou por período maior que o concedido no visto de entrada, quanto para quem cruzou a fronteira na clandestinidade.

O objetivo da regularização é trazer para a legalidade e garantir cidadania para essas pessoas, que vivem em condições precárias, são vítimas de tráfico humano e, muitas vezes, acabam em trabalho escravo ou degradante, sem qualquer assistência.

Com o benefício, elas passam a ter direito, por exemplo, a documento de identidade e habilitação, carteira de trabalho, saúde pública e educação gratuita. Os documentos regularizados permitem que os imigrantes tenham conta em banco, acesso ao crédito e possam abrir uma empresa.

Além disso, o governo brasileiro anunciou a medida como uma forma de marcar posição diante das últimas polêmicas envolvendo imigrantes brasileiros maltratados e detidos no exterior.

Esta é a quarta vez que o Brasil concede o benefício a estrangeiros que já moram no país - houve anistias em 1980, 1988 e na última, em 1998, quase 40 mil pessoas foram legalizadas.

01/09/2009

Merkel:Alemanha causou dor interminável na 2ª Guerra Mundial

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou hoje que a Alemanha causou um «sofrimento interminável» ao provocar a Segunda Guerra Mundial, mas ela também recordou o destino dos milhões de alemães expulsos da Europa Central e Oriental no fim do conflito.

«A Alemanha atacou a Polónia. A Alemanha iniciou a Segunda Guerra Mundial. Causamos interminável dor no mundo. Sessenta milhões de mortos foi o resultado», declarou Merkel por ocasião do 70º aniversário do início do conflito.

Merkel também recordou o papel dos alemães que foram expulsos da Europa Central e Oriental na construção da República Federal Alemã (RFA, Alemanha Ocidental) do pós-guerra.

«Também queremos recordá-los», disse.

Entre 12 e 14 milhões de alemães foram expulsos no fim da guerra das regiões onde estavam instalados. As expulsões, que provocaram muitas mortes, ocorreram nas regiões da Pomerânia e Silésia, actual Polónia, assim como na região dos Sudetes, que hoje faz parte da República Checa.

Os horrores cometidos pelos nazis ofuscaram durante muito tempo o sofrimento da população alemã no fim da guerra.

O projecto de construção em Berlim de um memorial consagrado que lhe é dedicado provocou tensão entre os governos alemão e polaco.

Merkel, nascida em 1954 e criada na comunista Alemanha Oriental, pretende assistir hoje às cerimónias de recordação do início da guerra na Polónia, ao lado dos líderes de quase 20 países.

Fonte: Diário Digital