28/01/2008

Erich Übelacker erzählt von Brasilien

Er ist ein amüsanter Erzähler, und folglich sind seine Vorträge sehr beliebt. Am Mittwoch, 6. Februar, 20 Uhr, erzählt Erich Übelacker, Professor für Astronomie, in den Kulturträgerräumen im Rathaus Norderstedt, Rathausallee 50, unter dem Titel "Von Rio nach Manaus" über eine Bildungsreise quer durch Brasilien. Der Eintritt zu dieser Veranstaltung des Norderstedter Kulturträgers "Friendship Force" kostet 3 Euro.

27/01/2008

"Sou brasileiro. Estou ofendido com seu comentário"

O escritor Paulo Coelho reclamou aos berros com Benjamin Zander, regente da Filarmônica de Boston, dos Estados Unidos, do que considerou "desrespeito à mulher brasileira", durante jantar anteontem do Fórum em Davos.

O maestro, em seu discurso num painel do congresso, anteontem à noite, segundo participantes do evento, ao comentar uma passagem no Brasil, disse, imitando o gesto, que as mulheres brasileiras levantavam suas roupas e "mostravam tudo".

Diante da gargalhada da sala cheia, Coelho, um dos cinco palestrantes do painel, que já havia discursado e estava sem microfone, levantou-se e gritou em inglês: "Sou brasileiro. Estou ofendido com seu comentário". "Não é verdade que as mulheres brasileiras se comportem assim", completou o escritor, abandonando a fleugma costumeira.

A sala ficou em silêncio. Zander, então, desculpou-se com Coelho, dizendo que retirava o que dissera.

Folha

26/01/2008

CIENTISTA BRASILEIRO, AUTOR DE FAÇANHA DA NEUROCIÊNCIA, DIZ QUE PARTE DA MÍDIA BRASILEIRA TORCE CONTRA

WASHINGTON - O doutor Miguel Nicolelis não precisa de promoção. Nem de holofotes. Ele é um dos principais neurocientistas do mundo. Na semana passada o New York Times deu a ele meia página de jornal. Como cientista da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, o mais recente feito de Nicolelis foi conseguir transmitir a energia do pensamento de um macaco de um laboratório nos Estados Unidos para o Japão, onde essa energia mexeu um braço robótico.

Você leu direito. O doutor Nicolelis trabalha com a "força do pensamento". Ele acredita que um dia os homens e mulheres tetraplégicos poderão usar o pensamento para mover cadeiras de roda, utensílios ou usar um computador. Ele acredita que existe potencial para que a energia do pensamento humano, amplificada, mova grandes máquinas. Como todo cientista, o doutor Nicolelis é um sonhador.

"O Brasil é visto como uma das grandes esperanças do mundo", ele me disse na tarde deste domingo desde Lausanne, na Suiça. Um dos motivos da viagem é que ele vai apresentar, no Fórum de Davos, na semana que vem, o projeto de educação científica que está desenvolvendo com dinheiro da iniciativa privada e em parceria com o governo brasileiro. Um projeto que ele define como "Ciência com missão social".

O projeto-piloto, que já funciona no Rio Grande do Norte, nos próximos três anos pretende levar educação científica a 1 milhão de crianças de escolas públicas brasileiras, que terão acesso a laboratórios dos quais nem mesmo as escolas privadas do país dispõem. O projeto foi celebrado na edição mais recente da revista Scientific American, inclusive com a publicação de um editorial assinado pelo doutor Nicolelis com o presidente Lula . O editor da revista revelou surpresa com o interesse de um presidente da República pelo assunto, já que esse tipo de projeto não existe nem mesmo nos Estados Unidos.

"Sem isso o Brasil não tem chance de competir", disse o doutor Nicolelis na entrevista. No projeto-piloto, depois do horário de aulas as crianças são levadas para laboratórios onde trabalham em projetos científicos educacionais. O objetivo é despertar nelas o interesse pela Ciência. "Talento a gente tem", diz o cientista. O projeto faz parte do esforço para desenvolver um pólo de Neurociência na região de Natal.

Porém, o cientista brasileiro se disse surpreso com a falta de repercussão que o assunto teve no Brasil, que ele atribui à polarização política. "Parte da mídia brasileira perdeu a capacidade de sonhar", afirmou o dr. Nicolelis. Eu sei do que ele está falando. Talvez ninguém tenha explicado ao cientista brasileiro que existe o PIG e que o PIG faz da propaganda de Fernando Henrique Cardoso e sua turma seu principal produto. Para o PIG, no Brasil, todos os problemas são federais.

Do blg Vi o mundo

24/01/2008

Exposição retrata papel das estradas de ferro alemãs no Holocausto

"Trens especiais para a morte" é o nome da exposição que retrata o papel das estradas de ferro alemãs na deportação de milhões de judeus e ciganos da etnia sinti e roma para os campos de extermínio no Holocausto.

Foi aberta nesta quarta-feira (23/01), na Estação Ferroviária Potsdamer Platz, em Berlim, a exposição Trens especiais para a morte. Em 40 painéis, ela procura relatar o papel da então companhia ferroviária alemã Reichsbahn na deportação de vítimas do Holocausto para os campos de extermínio nazistas.

Elaborada em cooperação com o Museu Alemão da Técnica e a Fundação Nova Sinagoga de Berlim - Centrum Judaicum, a exposição tem como iniciadora Beate Klarsfeld, pesquisadora franco-alemã do Holocausto. Ela organizou semelhante mostra em estações ferroviárias francesas, reportando a deportação de crianças do país.

Durante anos, Klarsfeld brigou com o chefe da companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn, Hartmut Mehdorn, para conseguir montar sua exposição, que seguirá para outras cidades alemãs, após Berlim.

Exposição polêmica

Segundo o chefe da Deutsche Bahn, o tema seria "sério demais" para ser que os as pessoas se ocupassem apressadamente dele, a caminho de pegar o trem. Somente a Mehrdorn caberia decidir sobre a forma de recordar os crimes da Reichsbahn.

A disputa entre Beate Klarsfeld e Hartmut Mehdorn só foi resolvida após a intervenção do ministro alemão dos Transportes, Wolfgang Tiefensee (SPD), em 2006.

Outro ponto polêmico de Trens especiais para a morte foi a escolha do seu local. Afinal, a exposição que lhe deu origem aconteceu sempre nas "maiores estações ferroviárias francesas", afirmou Klarsfeld na abertura da mostra na Estação Potsdamer Platz.

Apesar de ser bastante visitada e estar situada no centro da capital alemã, a Potsdamer Platz é apenas uma estação regional. A jornalista e editora Lea Rosh critica o fato de não se haver escolhido a Estação Central de Berlim para sediar a mostra.

Papel explícitado

De qualquer forma, a abertura da exposição instalada em 200 metros quadrados nas instalações subterrâneas da Potsdamer Platz atraiu um grande número de visitantes. O chefe da Companhia Ferroviária Alemã não pôde estar presente, por se encontrar de viagem.

Além de fotos das vítimas, a mostra documenta o papel da Reichsbahn nas deportações para os campos de concentração.

Como afirma o semanário Die Zeit, tal papel pode ser entendido quando se lê, por exemplo, num dos painéis, a correspondência entre o ajudante pessoal de Heinrich Himmler, que comandava a SS, tropa de elite nazista, e o vice-chefe da Reichsbahn alemã, Albert Ganzenmüller.

"Recebi com grande prazer sua notícia de que, já há 14 dias, circula um trem diário com 5 mil membros do povo escolhido para Treblinka e, desta forma, estamos aptos a abarcar a tarefa do transporte populacional em tempo hábil", escrevia cinicamente Karl Wolff, ajudante de Himmler.

Trens especiais para a morte poderá ser visitada até 11 de fevereiro próximo, na estação ferroviária regional berlinense Potsdamer Platz. Em seguida, a exposição segue para as cidades de Halle, Münster e Schwerin. (ca-dw)

23/01/2008

Nomenclatura eterniza "estado migratório"

A terminologia "pessoas com histórico migratório" é usada para nomear estrangeiros ou descendentes destes, mesmo quando vivem na Alemanha há várias gerações. Uma peculiaridade idiomática incomum em outros países.

Para ser alguém com Migrationshintergrund (histórico migratório), o cidadão que vive na Alemanha tem que obedecer a um dos seguintes critérios: ser estrangeiro nascido em outro país, vivendo na Alemanha; ser estrangeiro nascido na Alemanha; ser estrangeiro naturalizado alemão; ser descendente de alemães, criado no Leste Europeu e territórios da antiga União Soviética (Spätaussiedler); ou simplesmente ter um dos pais que obedecem a um dos critérios acima.

O interessante de tal definição é que uma pessoa de "histórico migratório", como deixa claro a palavra, pode nunca ter deixado o território alemão por um dia sequer em sua vida. Para ter o tal passado migratório, basta ter um dos genitores enquadrados nas categorias.

Quase metade da população das grandes cidades

Em 2005, viviam na Alemanha aproximadamente 16 milhões de pessoas com "histórico migratório", o que significa 20% da população total do país, de 82 milhões. Nas grandes cidades, os habitantes com Migrationshintergrund chegam a perfazer 40% da população.

Depois que os departamentos estaduais de estatística introduziram a nomenclatura, em 2005, o uso do termo foi se tornando, no decorrer dos últimos anos, comum nos discursos de políticos, no vocabulário usado pelas autoridades policiais e na mídia do país.

Mesmo que as supostas pessoas de passado migratório sejam netos de imigrantes, já vivendo na Alemanha há várias gerações. E que nunca tenham posto os pés no país de seus antepassados. Ou nem ao menos dominem o idioma de seus avós.

Sarkozy & cia.

A terminologia difere da usada em outros países europeus como o Reino Unido e a França, onde os filhos e netos de imigrantes, quando nascidos no país, são automaticamente considerados britânicos ou franceses. E não ingleses com migration background. Se o atual presidente da França, Nicolas Sarkozy, por exemplo, vivesse na Alemanha, ele não seria um simples francês, mas um cidadão francês de "histórico húngaro".

A intenção dos departamentos de estatística, explicam as autoridades, foi supostamente a de reduzir o uso do termo Ausländer (estrangeiro), ao qual pode ser associada, a princípio, uma exclusão. aus quer dizer "de fora".

O debate a respeito do assunto veio há tona recentemente, quando o governador do estado de Hessen, Roland Koch, fez declarações avessas a "jovens de passado migratório", devido a um suposto alto índice de delinqüência juvenil neste grupo.

Gomez: espanhol ou alemão?

Além disso, outra especificidade da sociedade alemã é chamar vários dos cidadãos nascidos e criados no país, com perfeito domínio do idioma local, de teuto-turcos, teuto-espanhóis, etc. Alguns exemplos, cita o diário berlinense Der Tagesspiegel, ilustram bem o caso, como o de Mario Gomez, escolhido o melhor jogador de futebol de 2007.

Gomez nasceu em 1985 em Riedlingen (no estado de Baden-Württemberg), sempre viveu na Alemanha, joga na seleção alemã, tem mãe natural da Suábia (região do sul alemão) e pai espanhol. O artilheiro da equipe do Stuttgart possui um passaporte alemão e outro espanhol. Para a mídia do país, no entanto, ele é com freqüência citado como "teuto-espanhol". Nascido e criado no país, de pai alemão e camisa da seleção nacional de futebol.

Akin: "turco-alemão", natural de Hamburgo

Outro exemplo curioso é o do cineasta Fatih Akin. Nascido e criado em Hamburgo, o diretor – cujos filmes tratam quase que sem exceção do tema migração – é sempre citado como "turco-alemão", numa obediência cega à regra que dita: pai turco, para sempre turco.

Pensando desta forma, lembra o jornal alemão, a tradição cultural européia estaria cheia de personalidades de dupla nacionalidade: de Joseph Conrad a Picasso, de Greta Garbo a Romy Schneider. Sem contar os alemães que foram obrigados a migrar durante o período nazista.

Afinal de contas, pode-se perguntar qualquer desavisado, qual é a diferença entre um estrangeiro e uma "pessoa com histórico migratório"? E por que aqueles que nascem no país, ali crescem e vivem, não são simplesmente alemães? Para o Conselho dos Estrangeiros de Munique, organização ligada à administração municipal, conta para a definição da pessoa de "fundo migratório", acima de tudo, seu local de nascimento. E também o de seus pais.

Língua: espelho de preconceitos

Nas discussões em torno da falta de oportunidades no mercado de trabalho e deficiências escolares entre os descendentes de imigrantes, fala-se pouco dos aspectos sócio-econômicos dos filhos e netos de estrangeiros. E menos ainda das categorias de permissão de permanência no país, que podem, por exemplo, impossibilitar filhos de refugiados políticos ou requerentes de asilo a participar normalmente da vida pública.

"Este país esforça-se, todos os dias, mil vezes, em prol da integração, em jardins-de-infância, escolas, instituições sociais ou incontáveis departamentos públicos. Apesar de todas as deficiências e atrasos. Mas através de uma linguagem errada, que exclui até mesmo os exemplos de uma integração bem-sucedida, percebe-se que o problema é mais embaixo", observa o Tagesspiegel, ao lembrar que o uso do idioma nada mais é que o espelho dos conceitos e preconceitos arraigados na sociedade.

Fonte: DW

18/01/2008

Funk do Suassuna!

Brasileira morre degolada por namorado na Espanha, suspeita polícia

Uma brasileira de 20 anos morreu esta madrugada em Pamplona, no norte da Espanha, degolada por seu companheiro, também brasileiro, informaram nesta sexta-feira fontes policiais.

O suposto assassino tentou se suicidar após cometer o crime. Um vizinho dos dois brasileiros avisou a polícia às 4h22 locais (1h22 em Brasília) para alertar de uma forte discussão.

Os agentes que foram ao local tiveram que derrubar a porta para entrar no imóvel, no qual encontraram o corpo da jovem em meio a uma poça de sangue. A vítima foi identificada apenas pelas iniciais, T.S.N..

O suposto agressor, de 23 anos, identificado como T.R.S., foi levado para o hospital, já que tinha se jogado do quarto andar do edifício.

Os dois jovens trabalhavam no mesmo lugar, segundo as autoridades locais. Em novembro tinha sido aberto um expediente contra os dois para expulsá-los do país.

As mesmas fontes indicaram que o fato de trabalharem no mesmo lugar pode ser "um dado relevante" para a investigação, assim como a circunstância de que a vítima estivesse "domiciliada em um imóvel distinto" do local onde ocorreu o crime.

A polícia trabalha com a "hipótese principal de que se trate de um ato de violência contra a mulher", mas isto "deverá ser confirmado com o depoimento do suposto assassino, com um exame minucioso do domicílio no qual ocorreu o crime e com a autópsia na vítima".

As fontes da delegação do governo em Pamplona, responsável por avisar os familiares da jovem e pela possível repatriação do corpo ao Brasil, acrescentaram que o suposto assassino se encontra no Hospital de Navarra com diversos traumatismos.

Fonte: Último Segundo

15/01/2008

Você usa produtos da Unilever?



Quem não tem um pezinho no preconceito atire a primeira pedra.

No anúncio de sabonete do início do século 20, a menina branca chama o menino negro de sujo (dirty), e pergunta por que ele não se lava com o sabonete Vinólia (ilustração acima). Que tal o racismo explícito da peça publicitária?

O sabonete racista é fabricado pela multinacional Unilever.

12/01/2008

Divina Comédia lidera em site literário



Engana-se quem pensa que é Machado de Assis, Shakespeare, Fernando Pessoa ou qualquer outro livro da lista dos obrigatórios para o vestibular o mais procurado dos que estão em domínio público. A obra com mais downloads no portal do governo que pretende reunir os livros disponíveis gratuitamente --ou, pelo menos, os mais importantes-- é do século 14, foi escrita em toscano e teve seus versos traduzidos para o português do século 19 por José Pedro Xavier Pinheiro, um baiano que morreu em 1882.

Dante Alighieri (Florença, Maio ou Junho de 1265 — Ravena, 13 ou 14 de Setembro de 1321) foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido il sommo poeta ("o sumo poeta").

Foi muito mais do que apenas um literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia (A Divina Comédia), que se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo. Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser injustamente exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus pares. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.

Mais aqui

05/01/2008

O governo alemão tem memória curta

por Elio Gaspari

O repórter Marcio Damasceno revelou que cidadãos brasileiros têm sido enxotados da Alemanha porque, no entendimento dos burocratas de suas fronteiras, não trazem nos passaportes o visto adequado. Não há exigência de visto para que turistas alemães entrem no Brasil, nem para que brasileiros entrem na Alemanha. O desconforto atinge quem, por qualquer motivo, tenha um visto específico de outros países da União Européia e pretenda trasitar pela Alemanha.

Jamais se deve duvidar de um guarda de fronteira quande ele mostra um regulamento que impede isso ou aquilo. Contudo, pode-se lembrar à diplomacia de Bonn que esse tipo de tratamento é deselegante para com os cidadãos de um país que nos séculos XIX e XX acolheu cerca de 200 mil imigrantes alemães. Primeiro fugiam da fome. O pai do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) atravessou um pedaço do Atlântico numa dieta de cebolas. Depois, fugiram do nazismo, inclusive a família de Caio Koch-Weser, vice-presidente do Deutsche Bank, nascido em Rolândia (PR).

Os guardas dos aeroportos alemães olham com suspeita para os brasileiros. Deveriam lembrar que, em matéria de maus antecedentes, ninguém baterá seu compratriota Joseph Mengele, cientista-residente do campo de concentração de Auschwitz, que viveu escondido no Brasil até sua morte, em 1970. (Pode-se fazer de conta que o governo alemão tentou descobrir onde ele estava.)

02/01/2008

Três mulheres e seus filhos

Três mulheres conversam sobre as qualidades de seus filhos. Diz a primeira:

- Fico contente que ele tenha decidido seguir o sacerdócio: toda vez que entra em uma sala, as pessoas o olham com respeito e dizem: “ meu padre!”

Os olhos da segunda brilham, e ela comenta:

- Pois eu fico mais contente ainda em saber que meu filho não apenas seguiu o sacerdócio, como foi nomeado cardeal. Assim, quando entra em uma sala, as pessoas abaixam respeitosamente a cabeça, beijam sua mão, e dizem: “Sua Graça!”

A terceira mulher permanece em silêncio. As outras duas se viram para ela e perguntam:

- E seu filho?

- Bem, meu filho…ele tem um metro e oitenta, é louro, tem olhos azuis. Toda vez que entra em uma sala, as pessoas olham umas para as outras e dizem: “Meu Deus!”

E o Brasil ?

Os dois textos abaixo mostram como os brasileiros têm sido tratados na Alemanha.

A embaixada do Brasil em Berlim está sabendo muito bem o que se passa com os turistas brasileiros no país.

O que o governo brasileiro pretende fazer? Continuar a desfarçataz de 'nada ouvi, nada vi ?' Está na hora de agir!

‘Nos olhavam como se fôssemos bandidos’, diz aluno


O estudante de arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Daniel Villas Boas e mais quatro amigos não se assustaram com o controle aleatório do policial alemão. Assim que desembarcaram em Berlim, vindos de Lisboa, tiveram que mostrar o passaporte.

“Como os outros passageiros do nosso vôo tinham aparência de alemães, eles vieram direto até nós. E mostramos o passaporte tranqüilamente”, recorda. Daniel achava que estava tudo certo, já que tinha um visto de estudante válido no Espaço Schengen. Ele também sabia que um brasileiro normalmente não precisa de visto para fazer turismo na Alemanha. Mas a viagem acabou mais cedo para eles, que tiveram que embarcar de volta a Lisboa após uma noite sem dormir e um dia inteiro “preso” na área de trânsito do aeroporto berlinense. Situação semelhante passou Janir de Oliveira Souza Junior, de 24 anos, que já tinha visitado várias capitais européias até ser impedido no mês passado de entrar em Berlim. “Na Itália, um policial chegou a olhar meu passaporte e devolveu, desejando boa viagem”, lembra o estudante de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Catarina. Ele está fazendo um intercâmbio de seis meses na Universidade de Almeria, na Espanha, e chegou a Berlim vindo de Roma, com o amigo Eduardo Seifert Scapini, de 20 anos, estudante de Agronomia. Os dois pretendiam visitar por três dias a capital alemã.

“Na Alemanha, logo ao abrir nosso passaporte, o policial disse: ‘Vocês vão ter de voltar para a casa’. Tomamos um susto e achamos até que iam nos mandar para o Brasil”, diz Janir.

Ele conta que tentaram contornar a situação, mostrando comprovante de matrícula na universidade, seguro de saúde internacional e carteira universitária, além de documentos de residência na Espanha. “Eles não queriam conversa. Desde o momento em que nos pararam, parece que tudo que falávamos era inútil. Nem olhavam direito nossos documentos. Foi uma experiência chocante”, acrescenta Janir. Ao final, foram escoltados ao caixa de uma companhia aérea e obrigados a compra rbilhetes de retorno no mesmo dia para Madri. “Foi constrangedor. Saímos acompanhados por dois policias e todos nos olhavam como se fôssemos bandidos.”

Já o choro de Daniele Zimetbaum, de 22 anos, não evitou a interrupção da viagem que mal tinha começado. A aluna de Comunicação da PUC do Rio faz um intercâmbio de seis meses na Universidade de Vigo (Espanha). Ela queria conhecer outras capitais da Europa, mas não passou da sala da polícia alemã no aeroporto de Schönefeld.

“O policial fez deboche e me disse que eu não podia, com aquele visto, entrar na Alemanha.” Ela disse que teve de assinar um papel dizendo estar ciente de ter tentado entrar ilegalmente no país.

● M.D.